“Abensonhado” (Jimmy P), “Mais real que o amor” (Pedro Jóia/Tomás Luzia), “Diz só” (Dino D’Santiago/Kady) e “Não voltes mais” (Elisa Rodrigues) recolheram a preferência do público e do júri e são os últimos finalistas da 54º. edição do Festival RTP da Canção.

Na primeira semifinal, que aconteceu a 22 de fevereiro, já tinham sido escolhidas para passar à final “Passe-Partout” (Tiago Nacarato/Bárbara Tinoco), “Medo de Sentir” (Marta Carvalho/Elisa), “Gerbera Amarela do Sul” (Filipe Sambado) e “Movimento” (Throes+The Shine).

Deste lado estava preparado um drinking game para cada vez que se elogiasse a diversidade da edição deste ano do Festival — algo que aconteceu a cada cinco minutos na primeira semifinal. Contámos apenas 2-3 vezes. Tiro ao lado, garrafa cheia. Posto isto, falemos sobre o desfile dos temas.

A noite abriu com “Cegueira”, tema composto e interpretado por Dubio e +351. As pinturas da intérprete, bailarina e respetiva banda vão demorar mais tempo a tirar que o tempo que a canção nos ficou no ouvido. Próxima.

António Avelar de Pinho, autor de “Dói-me o país”, tema interpretado por Luiz Caracol e Gus Liberdade, é um repetente. Escreveu temas para Gabriela Schaaf e para as Doce — como "Bem Bom" —, tendo participado já no Festival um sem número de vezes. Foi membro fundador dos Filarmónica Fraude e da Banda do Casaco e é um dos autores da personagem Avô Cantigas. É o que há para vos dizer.

Seguiu-se “ Cubismo enviesado”. Tema composto por Hélio Morais (Linda Martini, PAUS) a que Judas deu voz e corpo. Tudo certo, individualmente. Tudo errado, junto. Less is more, dizem. A canção não merecia esta atuação; a atuação não merecia esta canção.

Kady trouxe uma letra de força e que homenageia várias mulheres que, infelizmente, já não estão cá para a ouvir. "Angela, Cesária ou Michelle / Diz-me, quem foi / Paulina, Maria, Grace ou Marielle". Mensagem forte que não passou numa interpretação pouco emotiva. Culpa de algum nervosismo? Fica um belíssimo tema da autoria de Dino D’Santiago e Kalaf Epalanga (Buraka Som Sistema).

Depois, “Não voltes mais” de Elisa Rodrigues. Assim fica difícil, n'é? Duas Elisas nesta edição e duas belas vozes. Temos dois amores, e em nada são iguais. Não temos a certeza de qual Elisa gostamos mais (bendito sejas, Marco Paulo).

Cláudio Frank ganhou um lugar nesta edição do Festival através de uma participação no programa “Masterclass”, da Antena 1, destinado a músicos ainda sem contratos editoriais. Trouxe “Quero-te abraçar”, acordou algumas ancas adormecidas, fez lembrar Matias Damásio e despediu-se com um "thank you". Obrigada.

Quem ligou de seguida não estranhe, não foi um momento Festival da Canção Kids. Foi real, foi “Mais real que o amor”. Tomás Luzia tem apenas 17 anos e estreou-se nos palcos no Festival da RTP. O convite veio do guitarrista Pedro Jóia. Pecou por se antecipar. Uma voz doce que poderia ter esperado mais uns anos até se atirar aos lobos (vulgo Fãs do festival).

A fechar Jimmy P, com um coro gospel e um tema que foi buscar o título a Mia Couto ("Estórias Abensonhadas", livro publicado em 1994). Queriam um Festival da Canção mais urbano? Aposta ganha.

Antes de se saberem o resultado das votações, o tradicional momento de homenagem. Recordou-se novamente Eduardo Nascimento, o primeiro cantor negro a representar Portugal na Eurovisão. Meses antes da sua voz se calar definitivamente, e quase cinquenta anos depois, em 2019 voltou a pisar o palco do Festival na companhia dos Cais do Sodré Funk Connection. "O Vento Mudou" ouviu-se mais uma vez no lugar que o celebrou.

Recorde-se que as pontuações dos 16 temas só serão conhecidos depois da final. A novidade, à la Eurovisão, visa, segundo a RTP, que "nem a audiência nem os jurados" fiquem "sugestionados no momento de pontuar na Grande Final". Pode ver ou rever todos os temas no 'site' da RTP ou na conta do Festival da Canção no YouTube.

Na final, as votações do júri serão feitas por representantes de sete regiões de Portugal Continental e ilhas. Em caso de empate prevalece a escolha do público.

A final está agendada para o dia 7 de março e terá lugar no Coliseu Rondão Almeida, em Elvas. A cidade alentejana sucede a Guimarães e a Portimão, que acolheram a final do concurso em 2018 e 2019, respetivamente. A gala volta a ser apresentada por Filomena Cautela e Vasco Palmeirim e escolherá o representante português na Eurovisão, que este ano será em Roterdão, na Holanda.

Ó Elvas, Ó Elvas, (final do) Festival da Canção à vista.

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