“Os Prémios”, publicado originalmente em 1960 e precursor de “O Jogo do Mundo – Rayuela”, é editado em Portugal pela Cavalo de Ferro, que destaca a originalidade da obra, escrita por “um dos autores mais inovadores” do seu tempo, “mestre no conto e na narrativa curta, a sua obra é apenas comparável a nomes como os de Edgar Allan Poe, Tchékhov ou Borges”.

“O alternar entre narração e reflexão, a vivacidade dos diálogos, o absurdo e o real, e a comicidade das personagens, fazem de 'Os Prémios' um romance desconcertante e uma leitura impar, inevitável antecâmara de toda a obra subsequente de Cortázar”, afirma a editora.

“Os Prémios” e “O Jogo do Mundo – Rayuela”, publicado três anos mais tarde, também editado em Portugal pela Cavalo de Ferro, “inauguraram uma nova forma de fazer literatura na América Latina, rompendo com o modelo clássico, mediante uma narrativa que escapa à linearidade temporal e onde as personagens adquirem uma autonomia e uma profundidade psicológica, únicas”.

Sobre este romance, o próprio autor escreveu que estava desconfiado de que iria “desconcertar” os leitores que apoiam os seus escritores preferidos, no sentido em que desejam que os autores se mantenham no mesmo caminho e “não inventem disparates”.

“O primeiro desconcertado fui eu, porque comecei a escrever partindo da disposição que me ditou ouras coisas muito diferentes desta; depois, para meu espanto e grande diversão, o romance avançou sozinho e tive de segui-lo”, confessou Julio Cortázar.

A história tem como protagonistas um grupo rumoroso e heterogéneo de personagens, espécie de catálogo representativo da sociedade de Buenos Aires da época, premiado na lotaria nacional com um bilhete para uma viagem luxuosa de cruzeiro, que embarca no navio Malcolm, cheio de expectativas.

Entre as distrações e atrações iniciais, instala-se um clima de mistério que faz crescer a tensão entre os passageiros e a tripulação: o navio é colocado em quarentena devido a uma inexplicável doença.

A par disto, a rota e o destino final da viagem são desconhecidos dos passageiros, o capitão não se apresenta, nenhum dos membros da tripulação fala espanhol e, sobretudo, o acesso à popa da embarcação está interdito.

Estas circunstâncias absurdas vão constituir desafio para os hóspedes deste navio, que os levará a um jogo cada vez mais perigoso e com um final surpreendente.

Julio Cortázar nasceu em 1914 na embaixada argentina, em Bruxelas, e cresceu na Argentina, criado pela mãe, por uma tia e uma avó, mas foi uma criança triste e doente, tendo passado muito tempo na cama, a ler livros que a mãe selecionava.

Júlio Cortázar declararia mais tarde: “Passei a minha infância numa bruma de duendes, de elfos, com um sentido do espaço e do tempo diferente dos outros”.

Muitos dos seus contos são autobiográficos, como é o caso de “Bestiário” ou de “Final do Jogo”.

Formou-se como professor e deu aulas até 1946, altura em que assumiu a direção de uma editora em Buenos Aires. Dois anos depois passou a trabalhar como tradutor e, em 1949, publicou a sua primeira obra de relevo, “Los Reyes”, um longo poema narrativo, no qual usava arquétipos como o Minotauro e o Labirinto de Creta.

Morreu em 1984, em Paris, vitima de leucemia. A sua campa, no Cemitério de Montparnasse, tem a imagem de um “cronópio”, personagem criada pelo autor para uma série de contos e poemas, sob o título “Historias de Cronópios e de Famas” (1962), e descrito como um ser verde e húmido.

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