Intitulado “A dança e o ensino criativo”, o projeto vai desenvolver-se em 2019, 2020 e 2021, sendo cada um dos anos dedicado a uma das disciplinas curriculares.

“Achámos que são disciplinas desafiadoras”, disse à agência Lusa São Castro, que divide com António Cabrita a direção artística da companhia de dança contemporânea residente no Teatro Viriato, em Viseu.

A bailarina e coreógrafa lembrou que, desde o ano passado, a companhia tem proposto “’workshops’ e ‘masterclasses’ para profissionais e não profissionais da área”, que têm colhido muito interesse ao nível da comunidade de Viseu.

“Isso levou-nos a pensar como é que poderíamos criar um projeto para um público mais jovem, que fosse híbrido no sentido de tanto ir às escolas, como funcionar nos próprios teatros, em entidades de acolhimento”, explicou São Castro.

Neste âmbito, a Companhia Paulo Ribeiro tem estado a divulgar o projeto, quer junto das escolas, quer dos serviços educativos dos teatros, havendo mesmo a possibilidade de serem feitas sessões para famílias.

“Pensámos que a melhor abordagem seria através de disciplinas do plano curricular do ensino que estimulassem o contacto com as práticas do corpo, com o movimento, com a dança”, justificou.

Leonor Barata (Filosofia, para o 3.º ciclo e secundário), Catarina Câmara (Literatura, para os 2.º e 3.º ciclos e secundário) e Pedro Carvalho (Matemática, para os 1.º, 2.º e 3.º ciclos) serão os formadores.

Segundo São Castro, “eles já têm as suas próprias competências em cada uma destas disciplinas”, tendo sido convidados pela companhia a “explorarem os estudos que têm” quer na Filosofia, na Literatura e na Matemática, quer “no contacto com o corpo, porque todos eles têm uma formação em dança”.

Por exemplo, Leonor Barata, que terá a responsabilidade do primeiro módulo, em 2019, é licenciada em Filosofia, pós-graduada em Estudos Artísticos e fez a sua formação em dança no Forum Dança, tendo sido intérprete em vários espetáculos de dança e de teatro.

“A dança como expressão dos sentimentos e emoções individuais há muito que se cruza com o pensamento filosófico, na medida em que ambos tentam uma organização do real que nos sirva como pessoas e como cidadãos e que nos force a sair do senso comum na análise dos problemas e promova um espaço verdadeiramente reflexivo”, considera Leonor Barata.

São Castro não tem dúvidas de que “o pensamento criativo fomenta sempre um pensamento crítico” e, por isso, está confiante no sucesso deste projeto, quer na região de Viseu, quer fora dela.

“O professor terá de propor, no seu plano curricular, ter essa oficina como um momento do ano letivo. Os formadores depois irão às escolas e farão a oficina com cada turma que o professor tiver inscrito”, explicou a coreógrafa.

Criada em 1995, a Companhia Paulo Ribeiro tem um repertório próprio de peças criadas e dirigidas por Paulo Ribeiro (fundador e um dos coreógrafos que esteve na origem do movimento artístico intitulado Nova Dança Portuguesa) e por outros criadores convidados.

Desde 1998, é companhia residente no Teatro Viriato, a partir de onde desenvolve a sua atividade de pesquisa, de criação, de produção, de difusão e de formação.

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