Trata-se de “um monumento relevante e com grande peso histórico” – a igreja, que data de meados do século XVI, albergou, após o terramoto de 1755, como indica a Fundação Calouste Gulbenkian, a Casa dos Vinte e Quatro, órgão deliberativo composto por mesteirais (associações profissionais), cuja origem remonta a 1384, no reinado de João I, com o objetivo de participar no governo da cidade.

Nesta edição do prémio, atribuído anualmente pela Gulbenkian, foi ainda distinguida, com uma menção honrosa, a intervenção no edifício do gaveto da Rua dos Douradores com a Rua de Santa Justa, também em Lisboa, realizado por José Adrião Arquitetos.

Na sua deliberação para a atribuição do prémio, o júri destacou a localização do edifício – “um bairro que mantém ainda hoje uma vivência muito particular” –, a abertura do espaço “à comunidade de que o monumento faz parte”, a “tenacidade dos promotores” e a “pluridisciplinaridade e elevado nível de qualificação da equipa” responsável pela intervenção.

“Finalmente, mas não menos importante”, o júri valorizou “a tocante exposição de homenagem, patente ao público, a Gonçalo Ribeiro Telles, morador no bairro, recentemente desaparecido”, a 11 de novembro de 2020, referiu ainda o júri, sobre o conceituado arquiteto paisagista, figura de referência no urbanismo em Lisboa.

Para a escolha da menção honrosa - ao projeto de José Adrião - o júri realçou a “coerência e sensibilidade do projeto, destinado a habitação”, o facto de o arquiteto ter sabido “tirar partido das pré-existências, fazendo-o com rigor conceptual e encontrando soluções adequadas à realidade dos nossos dias”, e o “trabalho de recuperação (sem restauro) de pinturas a fresco nas paredes”.

Citada no comunicado, a presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, Isabel Mota, sublinha que, “com este prémio, a Fundação reafirma, ano após ano, o seu compromisso com a conservação, recuperação, valorização ou divulgação de património privado de inquestionável valor cultural”.

Desde 2007, a Fundação distinguiu “dezenas de intervenções exemplares, em bens móveis e imóveis, de norte a sul do país”, recorda ainda Isabel Mota.

Candidataram-se a esta 13.ª edição do Prémio 16 projetos, de todo o território continental, tendo, em ambos os casos, sido unânime a deliberação do júri, composto pelo professor António Lamas, presidente, a historiadora de arte Raquel Henriques da Silva, o arquiteto Gonçalo Byrne, presidente da Ordem dos Arquitetos, e os historiadores e investigadores Santiago Macias e Rui Vieira Nery.

O Prémio Gulbenkian Património – Maria Teresa e Vasco Vilalva foi criado em 2007 com o intuito de distinguir um projeto de excelência na área da conservação, recuperação, valorização ou divulgação do património cultural português, imóvel ou móvel.

A cerimónia de entrega do prémio está marcada para terça-feira, pelas 17:00, na Igreja de São José dos Carpinteiros/Casa dos Vinte e Quatro, em Lisboa.

[Notícia atualizada às 13:25]

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