A marca, que já está bem estabelecida na Europa, atrasou a sua chegada a Itália, planeada inicialmente para acontecer em 2017, para o fazer da melhor forma possível.

Chamada "Reserve Roastery", a cafetaria que  é inaugurada esta quinta à noite abre as suas portas ao público na manhã de sexta-feira e tem 2.300 metros quadrados, estando situada num prédio histórico localizado no centro de Milão.

O local, com uma decoração elegante do tipo industrial, propõe cafés provenientes de mais de 30 países diferentes, além de cocktails e alimentos.

Howard Schultz, o homem que fez a Starbucks ter sucesso em todo mundo e agora é presidente honorário da empresa, assegurou que o grupo chega "com humildade" a Itália.

"Foi em Milão, em 1983, onde tudo começou para mim. O café italiano conquistou a minha imaginação (...) Durante todos esses anos, sonhei que um dia voltaria", explicou Schultz, dizendo que espera que a marca ganhe "o respeito dos italianos".

Seis mil milhões de expressos são servidos a cada ano em Itália, de acordo com dados da federação Fipe.

Matteo Figura, especialista do NPD Group, garante que a Starbucks chega "na hora certa".

"Na restauração de hoje em Itália há muito desejo por marcas, por identidade", completou.

"De momento, apenas 20% da restauração está nas mãos de cadeias, o resto é independente. Mas as cadeias estão a crescer a uma taxa muito rápida, de mais de 4%" por ano", disse à AFP.

Além disso, de acordo com Figura, a maneira de consumir café mudou muito nos últimos anos em Itália. Antes, tomar café era "um momento para tomar uma 'dose' de energia", mas agora os consumidores "estão cada vez mais atentos à qualidade e experiência".

Segundo o especialista, os principais clientes são os millennials, jovens entre 18 e 34 anos. Para ele, há mercado em Itália para a Starbucks e para os cafés tradicionais, que têm um tipo diferente de consumidor.

"Na França, outro país com uma importante cultura do café, os consumidores 'millennials' respondem bem aos cafés especiais" propostos pela Starbucks, diz Alexandre Loeur, analista da Euromonitor International.

"Naturalmente de manhã eu prefiro estar aqui, mas talvez à tarde, durante um intervalo, vá ao Starbucks", explica Nicola D'Alessandro, de 35 anos, depois de tomar um café expresso no Caffè Napoli, uma cadeia local.

A Starbucks oferece a possibilidade de ficar mais tempo no restaurante, graças ao Wi-Fi, e oferece um ambiente diferente.

"Veremos se vai enraizar-se em Itália ou não. Os italianos não estão acostumados a beber cafés longos", explica Alessandro Panzarino, chefe do café Martini, perto do novo Starbucks.

Embora reconheça certo medo do "colosso" e que espera um "boom" no começo, Panzarino acredita que as pessoas vão cansar-se e voltar ao café tradicional, que geralmente custa um euro em Milão.

Simone Dusi, de 35 anos, é uma consumidora irredutível. "Eu gosto de café forte", afirmou. Por isso, rejeita "café diluído, ou variantes, como Frappuccino".

Em 2017, a Starbucks movimentou 22,4 mil milhões de dólares. Possui quase 29 mil lojas em 77 países, incluindo 12 mil nos Estados Unidos e 3,3 mil na China. Mas também está a sofrer no mercado americano, onde planeia fechar 150 cafés no espaço de um ano.

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