O caso começa com a venda do catálogo da Big Machine Label Group, anunciada este domingo. Fundada em 2005 por Scott Borchetta, esta editora detinha as obras de alguns dos maiores nomes da música country moderna, como Sheryl Crow, Lady Antebellum e Taylor Swift.

Apesar de hoje ser uma das maiores estrelas pop do mundo, Swift deu os primeiros passos da sua carreira na cena country de Nashville, tendo assinado com a Big Machine quando tinha 15 anos. O seu percurso estaria ligado à editora até 2018, altura em que o seu contrato expirou, tendo a cantora assinado pela Universal.

No entanto, como explica o The Guardian, a Big Machine acabou por vender o seu catálogo à empresa de media Ithaca Holdings, gerida pelo empresário e agente musical Scooter Braun, num negócio de 300 milhões de dólares (aproximadamente 264 milhões de euros).

Conhecido por ser um agente musical de sucesso, Scooter Braun tem na sua carteira de clientes artistas como Ariana Grande e David Guetta, tendo também sido o responsável por fazer de Justin Bieber uma estrela internacional e por ter tornado a canção “Gangnam Style” do sul-coreano Psy um hit global.

Com esta venda, todos os seis álbuns lançados por Swift — da estreia homónima de 2006 até “Reputation", datado de 2017 — passaram para as mãos de Braun, situação que a autora de “Bad Blood” descreveu como “o pior cenário possível”, numa carta aberta que disponibilizou na sua conta de Tumblr.

“Durante anos, supliquei por uma oportunidade para deter o meu trabalho”, escreve Swift, explicando que o acordo que assinou com 15 anos fez com que prescindisse dos direitos da sua música em prol da editora. Procurando resgatar o seu catálogo, a cantora descreve que, depois de se ligar à Universal, a única possibilidade que lhe foi dada foi a de “voltar a assinar com a Big Machine Records e ‘receber’ um álbum antigo de cada vez que lançasse um novo”.

Contudo, Swift diz que se afastou das negociações pois sabia que a sua ligação apenas impulsionaria ainda mais o processo de venda do catálogo já em curso. “Tive de fazer a escolha excruciante de deixar o meu passado para trás. Música que escrevi no chão do meu quarto e vídeos de que apenas tinha sonhado e que consegui pagar com o dinheiro que ganhei a tocar em bares, depois clubes, depois arenas e depois estádios”, admitiu a estrela na publicação.

O caso, todavia, tornar-se-ia ainda pior para Swift quando diz ter sabido, já depois da venda, que o comprador era Scott Braun, a quem a cantora acusa de lhe ter feito bullying aquando a polémica que a envolveu a si e ao casal Kim Kardashian e Kanye West em 2017. O episódio em concreto que Swift recorda na nota ter-se-á dado quando West e Justin Bieber realizaram uma videochamada em que Braun também participa — e que, segundo a cantora, o próprio terá orquestrado — para gozar consigo.

“Quando deixei as gravações nas mãos de Scott, fiz as pazes com o facto de que ele eventualmente iria vendê-las. Nunca nos meus piores pesadelos imaginei que o comprador fosse Scooter”, desabafou a cantora, acrescentando que apenas conseguiu pensar no “bullying manipulativo e incessante” que diz ter recebido às custas do empresário musical e que o seu legado musical  iria “ficar nas mãos de alguém que tentou desmantelá-lo”.

Swift destaca ainda que Scott Borchetta sabia dos problemas que tinha com o agente, mas que fez o negócio à mesma. “Cada vez que Scott Borchetta ouviu as palavras “Scooter Braun” sair da minha boca, foi sempre quando estava a chorar ou a tentar não fazê-lo”, escreve, acrescentando que “ele sabia o que estava a fazer: ambos sabiam". "Controlar uma mulher que não queria ser associada a eles. Em perpetuidade. Ou seja, para sempre”, denunciou.

A reação de Bieber e o desmentido de Borchetta

Sendo uma das maiores estrelas pop do planeta, a reação de Taylor Swift à venda do seu catálogo a um dos seus “inimigos” fez correr tinta e foi alvo de várias respostas. Nenhuma veio da parte do próprio Braun. Um dos seus maiores clientes, porém, decidiu reagir.

Numa publicação de Instagram, onde surge uma fotografia de si com Swift, Justin Bieber escreveu um texto no qual pede desculpa pelo episódio da videochamada, lembrando que Braun “não teve nada a ver com aquilo” e que até lhe disse “para não gozar daquela maneira” com a cantora.

Daí, Bieber passa ao ataque, dizendo que “ir para as redes sociais e fazer com que as pessoas odeiem Scooter não é justo”, acusando Swift de procurar obter simpatia, sabendo que os seus fãs iam atacar o agente. O canadiano, contudo, terminou o texto, com um pedido de reconciliação. “Tenho a certeza que o Scooter e eu íamos adorar falar contigo para resolver qualquer conflito, dor ou sentimentos por tratar”, escreveu.

Esta, ainda assim, não foi a reação mais severa às acusações de Swift, tendo essa sido da responsabilidade de Scott Borchetta, que publicou um desmentido no website da Big Machine.

Para além de escrever que nunca assistiu a Swift chorar quando se mencionava o nome de Braun e de defender que o agente “foi sempre um apoiante e um zelador de Taylor e da sua música”, Borchetta apresenta outra versão dos factos quanto aos direitos da cantora sobre a sua música. Segundo o CEO da Big Machine, a autora de "You Need To Calm Down" foi lhe oferecida a possibilidade de obter todo o seu catálogo de uma assentada se voltasse a assinar com a editora. “Taylor teve todas as hipóteses de deter não só as gravações originais, como também todos os vídeos, fotografias, tudo o que estivesse associado à sua carreira. Ela escolheu ir embora.”

Outro pormenor que Borchetta realçou no seu texto e que coloca em causa a versão de Swift é quanto à data em que esta soube que Braun seria o dono do seu catálogo discográfico. Ao contrário do que a cantora avançou — de que só obteve a informação já depois do comunicado da venda —, Borchetta diz que lhe enviou uma mensagem pessoal com a notícia ainda antes do anúncio público. O CEO da Big Machine exprimiu particular incredulidade quanto ao aparente desconhecimento da cantora, já que o seu pai, Scott Swift, é um acionista da editora. Um porta-voz da cantora, porém, desmentiu que Scott tivesse tido conhecimento prévio da venda.

A mulher de Braun, Yael Cohen, também publicou um texto no Instagram em que corrobora a versão de Borchetta e acusa Swift de “colecionar e deixar amigos como flores murchas”. Houve, no entanto, também quem prestasse apoio público à autora de “Shake It Off”, como a cantora Halsey — que defendeu que Swift devia deter “o trabalho meticuloso do seu coração” — e a modelo e atriz Cara Delavigne, que foi reagir à publicação de Justin Bieber, dizendo-lhe não saber “o que uma desculpa significa” e que devia passar “menos tempo a defender homens e mais a tentar compreender mulheres e a respeitar as suas reações válidas”.

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