Bertrand Editora

Entre as publicações até ao final do ano, conta-se a reedição de “A Via Sinuosa”, o primeiro romance de Aquilino Ribeiro (1885-1963), com prefácio de João Barroso Soares, no âmbito do centenário da morte do escritor. Em “A Via Sinuosa”, a sair em outubro próximo, “Aquilino introduz-nos a personagem de Libório Barradas – alter ego do autor durante a adolescência –, numa obra marcada pela descoberta do amor e pelo despertar para a sexualidade”, refere a Bertrand que chancela a obra.

“Olho de Gato”, o romance que marcou a carreira da canadiana Margaret Atwood, nos anos de 1980, e trouxe uma das suas personagens-chave, Elaine, é “um romance de formação, no qual uma mulher revisita, através da memória, a geografia física e humana da sua infância e juventude", escreve a editora. "Íntimo e mordaz, e subtilmente autobiográfico”, “Olho de Gato”, que foi finalista do Booker Prize em 1989, decorre entre o final da II Guerra Mundial e meados da década de 1980, cruzando referências.

Editado originalmente em Portugal em 1990, pelas antigas Publicações Europa-América, com tradução de Ana Heizkessel, há muito que "Olho de Gato" se encontrava esgotado no mercado livreiro português. A nova edição tem 'selo' Bertrand que publicou no ano passado, desta autora de 83 anos, “Questões Escaldantes” e, em 2021, “O Ano do Dilúvio” e “Afectuosamente”.

“Eu Fico Aqui”, a estreia de Marco Bolzano no nosso país, é publicado este mês, e trata-se de “um romance comovente narrado pela voz de Trina, uma mulher que resiste independente e com a coragem da palavra numa comunidade dilacerada pelo fascismo italiano e pelo nazismo alemão – e partir ou ficar é a decisão que faz de nós aquilo que somos”.

Marco Balzano nasceu em Milão em 1978, é professor do ensino secundário, e "Eu Fico Aqui" é o seu quarto romance, que ganhou, entre outros, os prémios Elba, Bagutta, Mario Rigoni Stern e, em França, o Prix Méditerranée, tendo sido finalista do Prémio Strega.

Também este mês é publicado “Coleção de Arrependimentos de Clover”, o romance de estreia da jornalista australiana Mikki Brammer.

Em outubro, é publicado novo livro de Manuela Gonzaga, “Aqualtune – A Princesa do Kongo”, um romance histórico passado no século XVIII, que “abarca a geografia do Congo, de Portugal e do Brasil, inspirado em factos e personagens reais”, com pesquisa histórica inicial de Isabel Valadão, e o 'thriller' “A Colher de Ouro”, de Jessa Maxwell.

Regressa igualmente às livrarias “Dom Camilo e o Seu Pequeno Mundo”, de Giovannino Guareschi, quando se celebram os 75 anos da publicação original.

Em novembro estão previstas as publicações de “Bela”, de Danielle Steel, “A Porta dos Traidores”, de Jeffrey Archer, “O Confronto”, de John Grisham, uma “saga familiar que narra a história de dois rapazes que, após crescerem lado a lado como amigos, se veem em extremos opostos, na vida adulta”, “Marés de Fogo”, de James Rollins, “Holly”, do norte-americano Stephen King, “Fogo Selvagem – Wildfire”, de Hannah Grace, e “O Reino das Temíveis”, de Kerri Maniscalco, o terceiro e último volume da série “O Reino dos Malditos”, da escritora norte-americana.

Na área de não-ficção, a Bertrand realça “O Último Homem Honesto”, de Benjamin Cunningham, que “revela a história verdadeira de um espião duplo na Guerra Fria. O romance é “baseado em documentos tornados públicos recentemente, gravações de interrogatórios e relatos em primeira mão” dos envolvidos, adianta a editora. Já “Supremacia Quântica”, de Michio Kaku, “debruça-se sobre a revolução da computação quântica que mudará o mundo”.

Em outubro é publicado o novo título de Edward Wilson-Lee, autor de “A Torre dos Segredos – Os Mundos Paralelos de Camões e Damião de Góis”. Desta feita, em “O Memorial dos Livros Naufragados”, Wilson-Lee conta a história do filho de Cristóvão Colombo, Hernando Colón (1498-1539).

Também em outubro sai “Memória Vermelha – Viver, Lembrar e Esquecer a Revolução Cultural Chinesa”, de Tania Branigan, “um retrato marcante da Revolução Cultural e de como ela molda a China de hoje”.

Na área de não-ficção destaca-se ainda “8.0 – Corpo & Alma”, de Paulo Teixeira Pinto, no qual “o autor parte da mística do algarismo 8, que simboliza o primeiro dia após os sete dias da Criação, que resulta na forma octogonal da quadratura do círculo, na base de muitas pias baptismais, e que na sua posição deitada corresponde ao Infinito e perfaz o número de letras da palavra Portugal”.

Em novembro, estará nas livrarias a “Breve História de Portugal – A Era Contemporânea (1808-2008)”, de Raquel Varela e Roberto Della Santa, a edição gráfica de “O Infinito num Junco”, de Irene Vallejo, numa adaptação gráfica do ilustrador e 'cartoonista' Tyto Alba, e ainda “A Minha Amiga Anne Frank”, da israelita Hannah Pick-Gosla, que conviveu com a vítima do Holocausto nazi, em Amesterdão.

Na área infantojuvenil, este mês, regressa às livrarias, com o selo Bertrand, “A Lua de Joana”, de Maria Teresa Maia Gonzalez, e é publicado “Salvámos o Outono”, de Joana Campos Louçã e João Camargo, “uma história que convida as crianças a alertar toda a gente que conhecem que o verão não pode durar tanto tempo e que o outono tem de começar”. De Maria Teresa Mais Gonzalez é publicado, em outubro, um outro título, “Alcateia - A Minha Família e Outros Lobos”.

“Como é Que os Nossos Amigos Ficam Nossos Amigos? – Teoria Universal da Amizade”, de Nuno Artur Silva, com ilustrações de João Fazenda, sai em outubro. Trata-se de “uma história sobre como nascem os amigos e os vários níveis de amizade; como se explica que haja amigos mais próximos, amigos mais distantes, amigos que só estão alguns dias na nossa vida e amigos que estarão durante toda a vida, e que não o adivinhamos".

“As Cuecas Assustadoras”, de Aaron Reynolds, com ilustrações de Peter Brown, é outro título a publicar no próximo mês, assim como uma nova aventura da porquinha Peppa, “Brinca com a Peppa”.

“O Pedrito e os Amigos”, de Beatrix Potter, é publicado em novembro, mês em que estão previstas as saídas de “Eu Sou Capaz!”, da inglesa Nicola Kinnear, e o sétimo volume da coleção “A Incrível Adele”, intitulado “Abaixo os Palermoides!”, de Mr. Tan e Miss Prickly.

Temas e Debates

“No Fio da Navalha – Portugal e a Defesa do Império (1961: Abril a Novembro)”, o terceiro livro de Valentim Alexandre, investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, no qual aborda a última fase do colonialismo português, que percorre o período após a tentativa de golpe de Estado em 1961, "conhecido como Abrilada”, é publicado este mês pela Temas e Debates.

Também por esta chancela e este mês, sai “A Ciência Nova do Universo Encantado”, “derradeira” obra do antropólogo norte-americano Marshall Sahlins (1930-2021), que propõe “repensar e reconfigurar radicalmente o modo como estudamos as culturas diferentes”, segundo a editora.

Em outubro a Temas e Debates prevê publicar a versão em Banda Desenhada (BD) de “Capital e Ideologia”, de Thomas Piketty, estando ainda calendarizada a saída de “Nómadas – Povos em Movimento, Uma História por Contar” do jornalista e escritor de viagens Anthony Sattin.

Para esse mês estão também anunciados “Uma Nova História da Europa Central – Os Reinos do Meio”, de Martyn Rady, professor emérito de História da Europa Central na Escola de Estudos Eslavos e do Leste Europeu da Universidade de Londres, autor de “Os Habsburgos” (2020), e “Confronto de Ideias – Grandes Mentes, Pensamentos Diferentes”, do físico e astrónomo Marcelo Gleiser, que “reúne as palavras dos mais renomados cientistas, filósofos, historiadores e intelectuais", entre eles António Damásio.

Também em outubro, a Temas e Debates publica o “testamento literário” de Nelida Piñon (1937-2022), que “se compõe de breves fragmentos, numa obra que se assemelha a um diário”, intitulada “Os Rostos que Tenho”. A obra da escritora brasileira que morreu em Lisboa, no passado mês de dezembro, totaliza 147 capítulos e é prefaciada por Lídia Jorge.

Para novembro, a Temas e Debates tem prevista a publicação de “Rebeldes Magníficos – Os Primeiros Românticos e a Invenção do Eu”, de Andrea Wulf, obra “sobre o notável grupo de jovens que, através das suas [...] ideais radicais, lançaram o Romantismo na cena mundial”.

“O Sonho de Ulisses”, do historiador espanhol José Enrique Ruiz-Domènec, que aborda “a importância do legado do Mediterrâneo na cultura mundial”, e ainda “Um Mundo Imenso”, do anglo-norte-americano Ed Yong, vencedor de um Prémio Pulitzer, são outros títulos anunciados.

“As Histórias de Israel e o Israel da História”, de Francisco Martins, é o título que encerra o ano editorial da Temas e Debates.

Quetzal

A lista da Quetzal inclui as “Memórias de Uma Menina Bem-Comportada”, de Simone de Beauvoir, que regressa este mês às livrarias, “O Sexo das Mulheres”, de Anne Akrich, e ainda “o inteligentíssimo romance” de Julia May Jonas, “Vladimir”, e “Antídoto”, um projeto de colaboração de José Luís Peixoto com os Moonspell.

Para outubro, está prevista a “Arte de Amar”, de Ovídio, numa edição bilingue latim-português, com tradução de Carlos Ascenso André.

A este juntam-se o primeiro romance do arqueólogo Henrique Raposo, “As Três Mortes de Lucas Andrade”, "uma história sobre a pobreza, o mal, a violência e a periferia”, o novo de Sérgio Godinho, “Vida e Morte nas Cidades Geminadas”, que se passa em Compiègne, no noroeste de França, e em Guimarães, e a biografia “Vidas e Mortes de Abel Chivukuvuku”, de José Eduardo Agualusa na qual “nos conta a história de Angola" através do nome de um homem cujo nome, Chivukuvuku, significa "bravura".

O ensaio de Mário Vargas Llosa “História de Um Deicídio”, sobre a obra de Gabriel García Márquez, com tradução de Cristina Rodriguez e Artur Guerra, também está anunciado para outubro.

A “Poesia Completa”, de Horácio, numa tradução de Frederico Lourenço, deverá ser publicada em novembro, assim como uma nova edição de “Mao. A História Desconhecida”, de Jung Chang, resultado “de mais de uma década de pesquisa e de inúmeras entrevistas com muitos dos que privaram com Mao Tsé-Tung {1893-1976)”.

“A Mercearia do Mundo”, dicionário organizado por Pierre Singaravélou e Sylvain Venayre, com tradução de Sandra Silva e Luísa Mellid-Franco, é outro título para a época. Trata-se de “um dicionário da globalização dos produtos alimentares, do vinho do Porto ao sushi, do ceviche ao ramen, do chili ao cuscuz, da maionese às batatas fritas”.

Ainda na área da gastronomia, a Quetzal publica, em novembro, “A Mesa de Deus”, de Maria Lectícia Monteiro Cavalcanti, com prefácio do cardeal José Tolentino Mendonça, “um livro sobre os alimentos da Bíblia, a sua história, os seus ingredientes e o modo como se preparava a mesa dos homens – à sombra de Deus”.

A Quetzal prevê ainda publicar a “Poesia Completa” do chileno Roberto Bolaño (1953-2003), traduzida por Carlos Vaz Marques.

Contraponto

Pela Contraponto será publicado, este mês, “Imagine Como Seria”, “o legado final de Sir Ken Robinson (1950-2020), antigo professor de Educação Artística da Universidade de Warwick, em Inglaterra, e coautor, com Lou Aronica, de 'O Elemento' (2009)". “Imagina Como Seria” foi concluído pela filha do autor Kate Robinson.

Por esta chancela sairá “Retornados”, de Marta Martins Silva que aborda o regresso a Portugal de 600 mil pessoas após o 25 de Abril de 1974. “Chegaram a um Portugal que os ostracizou, perpetuando uma sensação de abandono a quem partiu de mãos vazias. A autora dá voz a vinte e uma histórias, relatos impressionantes que se cruzam com a análise histórica, política e social da época sobre a qual se edificou o Portugal contemporâneo”, escreve a chancela do Grupo Bertrand/Círculo.

Outro título da Contraponto é “Máquina de Escrever Sentimentos”, de Inês de Meneses, “relato intimista, sincero" de um luto.

Arteplural, Pergaminho e 11x17

Pela Arteplural, em novembro, sai “Aqui Há Gato – Um Almanaque de Factos Felinos”, com 46 ilustrações.

Este mês, pela Pergaminho, entre outros títulos, é publicado “Educar Sem Perder a Cabeça”, de Tânia García.

Na coleção de livros de bolso 11x17, está prevista, este mês, a publicação de “Ansiedade – Como Enfrentar o Mal do Século”, de Augusto Cury, “Mrs. Dalloway”, de Virgina Woolf, “O Que Deus Disse”, de Neale Donald Walsch, e, em outubro de “O Inocente”, de John Grisham, e “O Poder Mágico do Jejum”, de Yoshinori Nagumo. Em novembro, “Elevação”, de Stephen King, e “Génese”, de Robin Cook.

Alfaguara

Em setembro, as novidades na ficção literária do grupo Penguin Random House Portugal incluem o romance “Um lugar para Mungo”, o segundo romance do escritor escocês Douglas Stuart, que arrecadou o Prémio Booker 2020 com o livro de estreia “Shuggie Bain”, a ser editado pela Alfaguara.

A mesma chancela vai estrear em Portugal a escritora suíça (que escreve em italiano) Fleur Jaaeggy, de 83 anos, com “Felizes anos de castigo”, romance original de 1989, e vai publicar um livro de histórias biografadas do cineasta espanhol Pedro Almodóvar, "O último sonho", que o próprio descreve como “o mais parecido que existe com uma autobiografia fragmentada”.

Penguin Clássicos e Objetiva

Nos Penguin Clássicos será editada a “Narrativa da vida de Frederick Douglass, um escravo americano, e outros textos”, e na não ficção, a Objectiva vai publicar a biografia de Elon Musk, escrita por Walter Isaacson, e “Buracos Brancos”, um novo livro do físico italiano Carlo Rovelli.

Na Objectiva, as novidades passam ainda pelo livro de memórias de Eduardo Ferro Rodrigues, “Assim vejo a minha vida”, e pela estreia no meio literário nacional do astrofísico norte-americano Neil de Grasse Tyson, com “O mensageiro das estrelas: um olhar cósmico sobre a nossa civilização”.

Companhia das Letras

O mês de outubro traz vários autores nacionais através da Companhia das Letras: “Revolução”, a história de uma família no PREC, de Hugo Gonçalves; “O nome que a cidade esqueceu”, regresso ao romance de João Tordo; e na coleção de não-ficção literária, “O que é ser uma escritora negra hoje, de acordo comigo”, um ensaio de Djaimilia Pereira de Almeida.

Elsinore e Cavalo de Ferro

Ainda neste mês, a Elsinore vai publicar mais um livro de Virginie Despentes, “Caro Idiota”, e de Max Porter, “Shy”, enquanto a Cavalo de Ferro lança “A tília, (seguido de) Aniversário”, inédito em Portugal do argentino César Aira.

No que respeita a autores estrangeiros, o mês será marcado pela publicação, na Cavalo de Ferro, da nova obra de Olga Tokarczuk, “Empúsio – romance de terror neuropático”, e de “A Bíblia”, o primeiro romance do húngaro Peter Nádas e o primeiro a chegar a Portugal.

Em novembro, vai ser lançado um novo volume da “Septologia” de Jon Fosse, “O eu é um outro”, na Cavalo de Ferro.

Arena e iguana

A Arena publicará em outubro a autobiografia de Britney Spears, “A mulher que há em mim”.

Um dos grandes destaques do mês, segundo a editora, é a publicação, na chancela iguana, de um livro de banda desenhada organizado pela iraniana Marjane Satrapi (autora de “Persépolis”), em homenagem a Mahsa Amini, a jovem mulher que morreu depois de ser presa pela polícia dos costumes por uso incorreto do véu islâmico.

A mesma chancela vai publicar também a famosa “Mafalda”, de Quino, cujas últimas edições tinham sido feitas pela Verbo.

Suma de Letras e Top Seller

Em novembro, vai ser lançado o vencedor do Pulitzer 2023, “Demon Copperhead”, de Barbara Kingsolver, na Suma de Letras, e um novo título da autora mais vendida em Portugal, Colleen Hoover, “Nunca Jamais”, na Top Seller.