Com um orçamento de 10 milhões de dólares, “CODA” foi comprado pela Apple TV+ por 25 milhões, e tornou-se um dos filmes mais premiados do ano, dando a uma plataforma de 'streaming a primeira vitória de sempre na categoria mais cobiçada de Hollywood.

“Quando chegámos ao [festival] Sundance, o filme nem sequer tinha distribuidor”, disse Siân Heder nos bastidores da cerimónia. “Fui na esperança de que alguém o comprasse e agora ganhámos Melhor Filme”, afirmou.

A realizadora disse esperar que estas vitórias sejam inspiradoras para jovens mulheres que querem fazer filmes, e para todos os cineastas independentes que estão a enfrentar dificuldades.

Também salientou a natureza histórica de um filme sobre uma família de surdos com três protagonistas surdos ter vencido os Óscares.

“Este filme celebra a cultura surda”, disse Heder. “Estamos a dizer: 'Vocês pertencem aqui, as vossas histórias são importantes'”, continuou, confiante de que “CODA” pode ser “a pedra no topo da montanha que desencadeia uma avalanche”.

“Espero que isto não seja um filme, que seja um movimento”, afirmou. Chamando a atenção para o facto de ter uma intérprete de linguagem gestual ao seu lado, disse que “há pessoas surdas em casa que precisam de ver isto e participar. É um momento histórico para a comunidade”.

O produtor Patrick Wachsberger, que elogiou a tenacidade do cinema independente, prometeu que estes filmes continuarão a ser feitos. “As boas histórias vão sempre continuar vivas”, indicou.

Além dos Óscares de Melhor Filme e Melhor Argumento Adaptado, “CODA” também deu a Troy Kotsur o Óscar de Melhor Ator Secundário, transformando numa estrela um ator desconhecido. Siân Heder disse que lutou para que fosse ele a interpretar o pai da família de surdos, porque queria que a história fosse bem contada.

“Finquei o pé. Durante muito tempo, pensei que, por causa do que acredito e de como este filme devia ser feito, não ia conseguir fazê-lo”, lembrou Heder. “Eu preferia ver o filme a morrer e nunca ser feito do que a ser feito da maneira errada”.

A história centra-se numa família de surdos em que a adolescente Ruby é o único membro que consegue ouvir e falar. O acrónimo Coda designa, em inglês, filhos ouvintes de pais surdos (Child of Deaf Adults), um tema raramente abordado por Hollywood que agora venceu o Óscar de Melhor Filme.

O argumento foi adaptado do filme francês “La Famille Bélier”, de 2014, e Heder revelou que os argumentistas do original estavam “muito felizes” pelo sucesso de “CODA”.

Já na categoria de Melhor Argumento Original foi Kenneth Branagh que venceu, com “Belfast”.

O realizador mostrou-se muito emocionado na sala de entrevistas, tendo de pausar quando refletiu sobre o facto de ter crescido numa pequena casa no norte de Belfast, a ver os Óscares numa televisão a preto e branco, e agora estar ali, do outro lado, com uma estatueta na mão.

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