Entre os jovens de 16 a 24 anos de idade, 75% acreditam que os polícias exageram no uso da violência, segundo uma nota do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), que encomendou o estudo ao Datafolha.

A pesquisa revelou que “53% dos brasileiros (60% dos jovens de 16 a 24 anos de idade) têm medo de ser vítima de violência por parte da polícia civil e 59% (67% dos jovens de 16 a 24 anos) temem ser agredidos por polícias militares”.

Na nota, lê-se que “63% dos brasileiros acreditam que as polícias não têm boas condições de trabalho, contudo, 52% afirmam que a polícia civil faz um bom trabalho esclarecendo crimes e 50% que a polícia militar garante a segurança da população”, ou seja, apesar dos problemas, a polícia é reconhecida como essencial.

“O fato de mais brasileiros terem medo de serem agredidos pelas polícias do que aqueles que consideram o seu trabalho eficiente é um forte indicativo de que precisamos repensar o modelo de atuação vigente, aproximando os polícias da população”, alertou Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do FBSP, citado na nota.

Tal, acrescentou, é essencial para que “a população se sinta mais segura” e para que “o polícia se sinta mais valorizado e não precise, por exemplo, esconder a farda para voltar do trabalho para casa, com medo de ser assassinado”.

A maioria dos brasileiros (64%) acredita que os agentes são caçados pelos criminosos.

Em 2015, foram mortos 393 polícias.

O estudo do Datafolha mostrou ainda que 57% dos brasileiros acreditam que “bandido bom é bandido morto”.

Na nota do FBSP, lê-se que este pensamento “certamente influencia o comportamento das polícias que, da mesma forma que morrem em níveis inaceitáveis, com uma quantidade que representa o dobro de mortes em relação aos polícias dos Estados Unidos, também matam muito”.

Segundo a organização não-governamental, enquanto a taxa de mortes resultantes de intervenção policial no Brasil é de 1,6 para cada 100 mil habitantes, em Honduras, país mais violento do mundo, este número é de 1,2 mortes e na África do Sul é de 1,1.

“Ainda acreditamos que a violência do criminoso justifica a violência do Estado e caímos na armadilha de fazer uso da mesma linguagem do crime, confundindo papéis e erodindo a confiança nas instituições”, comentou Samira Bueno, diretora-executiva do FBSP.

A pesquisa foi realizada entre 01 e 05 de agosto, com uma amostra de 3.625 entrevistas em 217 municípios, e a margem de erro máximo é de dois pontos percentuais.

Os números integram o 10.° Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que será divulgado quinta-feira.

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