A operação, denominada "A ilha que não existe", foi lançada pela polícia de Catanzarom, na região da Calábria (sul da Itália), em abril de 2021, após o registo de um edifício como sede diplomática daquele Estado fictício.

A rede criminosa fez crer que esta nação fictícia - o Estado Teocrático Antártico de San Giorgio - existia com soberania e privilégios autónomos "em virtude do Tratado da Antártida de 1959" e encarregou-se de realizar os procedimentos para dar nacionalidade a quem a solicitasse, em troca de entre 200 e 1.000 euros.

Em cerca de um ano, os membros desta rede enganaram 700 pessoas em toda a Itália e arrecadaram cerca de 400.000 euros.

De acordo com uma nota da polícia, além de terem criado uma página na internet sobre o Estado, tinham também lançado a publicação de um Diário Oficial do Estado e a criação de várias instituições (chefe de Estado, Governo, Tribunal de Justiça, Tribunal Supremo Tribunal, Delegações Territoriais...).

Dessa forma, teriam enganado as pessoas a quem ofereciam as vantagens, nomeadamente a possibilidade de receberem financiamento para os seus projetos de investigação, beneficiarem de uma burocracia mais ágil para suas empresas, usarem documentos do Estado para circular livremente em Itália e no estrangeiro, a possibilidade de permitir a entrada de cidadãos estrangeiros no território ou obter isenção de vacinas contra a covid-19.

Ao ingressar no Estado Antártico, os benefícios mais atrativos teriam sido aqueles relacionados com a redução de impostos e, em pelo menos dois casos, ocorreu a venda de terras na Antártica acompanhada do respetivo título de nobreza.

Entre os 12 detidos, em prisão domiciliária, está o ex-general da Guarda Financeira Mario Farnesi, de 72 anos, que era a "referência operacional de todos os ramos do Estado Teocrático" e autor dos documentos falsos para obtenção da nacionalidade.

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