Nestas eleições em contexto de pandemia, nas quais Marcelo Rebelo de Sousa foi reeleito Presidente da República, votaram 4,2 milhões de eleitores, menos de metade dos 9,3 milhões de inscritos no território nacional.

A taxa de abstenção, que se situou nos 54,55 por cento, foi a mais elevada em eleições presidenciais, ultrapassando a registada na reeleição de Aníbal Cavaco Silva, em 23 de janeiro de 2011, em que 53,56 por cento dos eleitores optaram por não ir às urnas.

Estes dados referem-se apenas a Portugal continental e Regiões Autónomas, faltando apurar todos os resultados das votações no estrangeiro, que poderão fazer aumentar ainda mais a abstenção.

As eleições presidenciais de domingo voltaram a confirmar a tendência para uma maior abstenção quando se trata de um segundo mandato.

Nas eleições de domingo, os votos brancos atingiram 1,11 por cento e os nulos 0,94 por cento.

No primeiro caso, esta percentagem foi menor relativamente às eleições presidenciais de 2016, nas quais se registaram 1,24 por cento de votos brancos, mas os votos nulos foram, nestas eleições, em maior percentagem em comparação com os 0,92 por cento de 2016.

Segundo os dados da Secretaria-Geral do Ministério de Administração Interna - Administração Eleitoral, os resultados globais provisórios, quando faltava ainda apurar três consulados, cerca das 00:40, apontavam para uma taxa de abstenção de 60,51 por cento, sendo que no estrangeiro tinham votado apenas 1,87 por cento dos 1,5 milhões de inscritos.

Nesta eleição houve um aumento do número de eleitores, em grande medida devido ao recenseamento eleitoral automático dos emigrantes com cartão de cidadão válido, que decorre de uma mudança à lei, feita em 2018.

Em 2016, eram 228.822 os eleitores inscritos no estrangeiro e este ano esse número subiu para 1.550.063.

Antes da reeleição de Cavaco Silva, em 2011, que detinha até agora o “recorde” da taxa de abstenção em presidenciais, o valor mais alto tinha sido registado no segundo mandato de Jorge Sampaio, em janeiro de 2001, com 50,29 por cento de abstencionistas.

As últimas eleições, em 2016, ocupavam o segundo lugar no "pódio" das taxas de abstenção, registando-se 51,34 por cento de abstencionistas num sufrágio que elegeu há cinco anos o sucessor de Cavaco Silva, Marcelo Rebelo de Sousa.

Em 1991, nas quartas presidenciais e também numa reeleição, a do antigo Presidente da República Mário Soares, a abstenção já tinha sido a mais elevada até então, 37,8 por cento.

A exceção à "regra" de maior abstenção numa reeleição é protagonizada pelo general António Ramalho Eanes, que foi reeleito em 1980 num escrutínio que registou a menor percentagem de abstencionistas, cerca de 15 por cento.

Esta foi, aliás, a eleição presidencial mais concorrida de sempre, com uma participação de 84,39 por cento dos eleitores inscritos.

Por três vezes, a renúncia ao voto se situou na casa dos 30 por cento: 37,84 por cento na reeleição de Mário Soares, em 1991; 33,71 por cento na primeira eleição de Jorge Sampaio, em 1996, e 38,47 por cento no sufrágio ganho por Aníbal Cavaco Silva, em 2006.

Nos restantes atos eleitorais, a abstenção variou entre os 24,53 por cento quando Ramalho Eanes se tornou o primeiro presidente eleito por sufrágio universal, em 1976, e os 24,62 por cento e 22,01 por cento, na primeira e segunda voltas, respetivamente, da votação em 1986, que elegeu pela primeira vez Mário Soares.

Marcelo Rebelo de Sousa foi reeleito Presidente da República nas eleições de domingo, com 60,70 por cento dos votos, segundo os resultados provisórios apurados em todas as 3.092 freguesias.

Segundo os dados da Secretaria-Geral do Ministério de Administração Interna - Administração Eleitoral, Ana Gomes foi a segunda candidata mais votada, com 12,97 por cento, seguida de André Ventura (11,90 por cento), João Ferreira (4,32 por cento), Marisa Matias (3,95 por cento), Tiago Mayan Gonçalves (3,22 por cento) e Vitorino Silva (2,94 por cento).

(Notícia atualizada às 01:02)

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