Em conferência de imprensa realizada junto ao Centro de Saúde de Faro, Nuno Manjua, coordenador regional do Algarve do SEP, revelou que existe adesão total (100%) à greve nas Unidades de Saúde Familiares de Albufeira e Farol (Faro), na Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) de Lagos, no Centro de Saúde de Vila do Bispo e na Equipa de Apoio Domiciliário dos Cuidados Paliativos de Tavira.

Noutros serviços de saúde do Algarve, a paralisação varia entre 75% na Unidade de Cuidados na Comunidade (UCC) de Faro, 71% no Centro de Saúde de São Brás de Alportel, 67% na UCSP de Almancil/Boliqueime, 60% no Centro de Saúde de Silves e na UCC de Tavira, e 50% no Centro de Saúde de Monchique.

A greve está a provocar "limitações ao nível dos cuidados de enfermagem, de tratamentos, das consultas, da vacinação, da vacinação internacional e dos cuidados domiciliários", salientou Nuno Manjua.

O coordenador regional do SEP responsabilizou a Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve "por todo e qualquer constrangimento" que possa surgir para os utentes e turistas da região.

"A ARS podia ter evitado esta greve e não o fez. Tentámos o diálogo várias vezes ao longo dos últimos meses, receberam-nos, mas não analisaram sequer os pareceres jurídicos que enviámos para sustentar as nossas reivindicações. Não avançaram sequer um milímetro", assegurou o responsável.

Na quarta-feira, a ARS/Algarve sublinhou, em comunicado, que estava disponível para negociar, mas Nuno Manjua frisou que não houve contactos desde que foi enviado o pré-aviso para a greve.

"Desde o início do mês que têm o pré-aviso de greve e nem sequer fizeram um único contacto para tentar chegar a um entendimento", afirmou o dirigente sindical.

A paralisação de dois dias foi convocada para reivindicar a contratação de mais profissionais e a resolução de questões relativas às condições de trabalho, nomeadamente a progressão na carreira.

A ARS revelou na quarta-feira que o número de enfermeiros nos cuidados de saúde primários algarvios subiu de 394, em 2015, para 443, em junho de 2019, mas o SEP defende a contratação de mais 150 enfermeiros para os centros de saúde algarvios.

"Continuam a faltar enfermeiros a uma região com carência crónica. É a região de saúde do país com menor número de enfermeiros, quer em efetivos, quer em percentagem", sustentou Nuno Manjua.

Quanto ao descongelamento das carreiras, o SEP entende que a ARS/Algarve "não está a proceder de forma correta, prejudicando os enfermeiros".

Alguns deste profissionais, acrescentou, "desde 2002 não têm um aumento de sequer um cêntimo no seu salário", sem esquecer "os cortes duros nos salários, nos subsídios e nos suplementos".

O pagamento de milhares de horas extraordinárias aos enfermeiros da Unidade de Desabituação do Algarve, a tentativa de imposição de 40 horas de trabalho nas USF de Modelo B e a transição dos enfermeiros que finalizam comissões de serviço de chefia para enfermeiros especialistas são outras das reivindicações.

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