A data da reunião foi avançada, em conferência de imprensa, pelo presidente executivo do grupo, Hiroto Saikawa, que comentou que este processo é consequência de que o poder estava demasiado concentrado numa pessoa e que em cima da mesa está o plano de reduzir a dependência de um único líder.

“Além de lamentar, sinto uma grande deceção, frustração, desespero, indignação e ressentimento", afirmou ainda o responsável, que garantiu que a empresa vai focar-se em minimizar os impactos da situação.

Com 10,6 milhões de carros vendidos em 2017, a aliança Renault-Nissan-Mitsubishi alcançou pela primeira vez a liderança mundial do setor, batendo os seus mais diretos concorrentes: Volkswagen (10,54 milhões), Toyota (10,47 milhões) e General Motors (9,6 milhões).

No ano passado, a Nissan vendeu 5,81 milhões veículos, a Renault 3,76 milhões e a Mitsubishi 1,03 milhões.

Em 2017, a aliança franco-japonesa alcançou 5,7 mil milhões de euros em sinergias (economias de escala), superando a meta estabelecida para 2018.

Desde 2014, os três fabricantes de automóveis partilham setores de engenharia, produção e logística, compras e recursos humanos, com Ghosn a deter a presidência da aliança.

Hiroto Saikawa insistiu hoje, por várias vezes, que a detenção de Ghosn não vai afetar a aliança.

A Renault e a Mitsubishi também terão de se pronunciar sobre os cargo de presidente que Ghosn ocupava.

Em comunicado, a Nissan confirmou uma “investigação interna nos últimos meses sobre conduta imprópria envolvendo o presidente Carlos Ghosn” e Greg Kelly, outro alto dirigente.

O documento referiu que a investigação mostrou que, “durante muitos anos, tanto Ghosn, como Kelly, têm registado valores de compensação, no relatório de valores mobiliários da Bolsa de Valores de Tóquio, que eram inferiores ao valor real”.

“Além disso, em relação a Ghosn, várias outras ações significativas de má conduta foram descobertas, como o uso pessoal de ativos da empresa, e o envolvimento de Kelly também foi confirmado”, lê-se no comunicado.

A Nissan deu informações ao Ministério Público do Japão e “cooperou plenamente com a investigação”, o que continuará a fazer, acrescentou a empresa, que pediu desculpas aos acionistas.

Ghosn chegou à Nissan em 1999 como presidente executivo para liderar a recuperação do fabricante, com sede em Yokohama, depois de ter oficializado uma aliança com a francesa Renault.

Depois de ser tornar presidente das duas empresas, na década seguinte, Ghosn passou a homem forte da Mitsubishi Motors no âmbito do acordo subscrito em 2016.