Ao final desta noite de terça-feira, a Polónia anunciava com gravidade que tinha apurado que o míssil caído no seu território e que vitimou duas pessoas era de fabrico russo, motivando a chamada do embaixador dessa mesma nacionalidade a prestar esclarecimentos.

Estas informações, aliadas à marcação de uma reunião com os restantes aliados da NATO para consultas quanto ao possível acionamento do artigo 4.º, deixavam antever uma possível escalada no atual cenário de guerra na Ucrânia.

Hoje, o caso apresentado foi bem distinto. O míssil caído é russo, sim, mas segundo investigadores americanos sob anonimato, faz parte do armamento das forças armadas da Ucrânia. Uma nova hipótese sugeriu que foi um S-300, míssil antiaéreo que faz parte do arsenal de Kiev desde os tempos da União Soviética, a cair sobre a Polónia depois das defesas ucranianas terem detetado um míssil russo a entrar no seu espaço.

Estes novos dados conjugaram-se com o que tinha sido adiantado pelos EUA durante a madrugada, de que era improvável que o míssil que atingiu a Polónia tivesse sido disparado a partir da Rússia. É improvável nas linhas da trajetória que tenha sido disparado da Rússia, mas veremos", disse Joe Biden.

Caso raro no decurso nesta guerra, os EUA pareciam assim estar a dar razão à Rússia, que desde a primeira hora negou a autoria do ataque, considerando as acusações uma "provocação deliberada". A esta posição seguiu-se a da Turquia, outro membro da NATO que também afirmou que o míssil não teria sido disparado pela Rússia.

Pela hora de almoço, o consenso era de que foi a Ucrânia a provocar acidentalmente a queda deste míssil em solo polaco. O presidente da Polónia, Andrzej Duda, disse que o míssil que aterrou no seu país e matou duas pessoas foi "provavelmente um incidente infeliz", não havendo motivos para acreditar que o incidente do míssil fosse um "ataque intencional", afirmou, ou que tivesse sido lançado pela Rússia.  Assim, o governo polaco disse aos seus parceiros da NATO que o míssil foi provavelmente disparado pelo exército ucraniano como defesa antiaérea, levando o nível de alerta dos membros da Aliança Atlântica a baixar.

Ao mesmo tempo, a Rússia, apesar de se livrar das acusações de um ataque deliberado, não se livrou das críticas de que tal incidente apenas ocorreu devido aos seus bombardeamentos sobre a Ucrânia.

Foi o que disse Pedro Costa Pereira, o embaixador português na NATO, considerando que a reunião de emergência de hoje "não encerrou" o assunto do incidente na Polónia, mas atribuiu-o ao "ataque absolutamente maciço" da Rússia à Ucrânia.

“Neste momento, tudo aponta para que tenha sido um míssil que foi disparado pela Ucrânia para intercetar um míssil russo”, mas “se isto aconteceu foi porque houve um ataque absolutamente maciço ou desproporcionado por parte da Rússia e a Ucrânia mais não fez do que se defender”, salientou o representante diplomático.

Reforçando que “ainda não há uma conclusão definitiva a este respeito”, Pedro Costa Pereira vincou que “evidentemente que não há um qualquer assacar de responsabilidades (…) e a Ucrânia exerce o seu direito à legítima defesa, tal como consagrado na Carta das Nações Unidas e tem todo o apoio da NATO a esse respeito”.

Não obstante o consenso firmado sob a nova tese, a Ucrânia não a aceita. Desde ontem que Volodymyr Zelensky tem continuado a afirmar que o míssil foi enviado pelas forças russas, reforçando-o hoje.

“O míssil não era nosso, sem qualquer dúvida”, declarou Zelensky na televisão. “Julgo que era um míssil russo”, acrescentou. Em simultâneo, afirmou não ter recebido dos ocidentais qualquer prova sobre a hipótese de um projétil ucraniano disparado para abater mísseis de cruzeiro russos, que na terça-feira foram lançados de forma massiva sobre território ucraniano.

“Não temos o direito de receber provas dos nossos parceiros de forma reservada? Não recebemos nada”, disse Zelensky, para sublinhar que Kiev pretende integrar um grupo de investigação internacional sobre este incidente.

*com Lusa

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