Num discurso perante o Conselho de Governadores da AIEA, Rafael Grossi disse existir “uma indicação clara de que material e/ou equipas contaminados esteve” naqueles locais, segundo a agência noticiosa espanhola EFE.

Grossi assinalou que o Irão até agora apenas respondeu parcialmente e sem apresentar documentação às perguntas dos inspetores da agência da ONU.

A AIEA recebeu nos últimos anos informações de serviços de informações ocidentais sobre atividades não declaradas nos quatro locais em causa e os inspetores internacionais já recolheram amostras que confirmaram a presença de materiais físseis ou equipamento contaminado.

“Estou profundamente preocupado porque material nuclear esteve em três das instalações não declaradas no Irão e com o facto de a agência não saber onde esse material está agora”, disse Grossi.

“Reitero a obrigação do Irão para esclarecer e resolver estes assuntos o mais depressa possível, entregando informação, documentação e respostas às perguntas da agência”, indicou o diretor-geral da AIEA.

O Irão fez um “acordo de salvaguardas” com a agência, que o obriga a mantê-la sempre informada sobre as suas atividades nucleares.

Grossi alertou ainda que “a falta de progresso no esclarecimento das questões da agência (…) afeta seriamente a capacidade da agência para dar garantiras sobre a natureza do programa nuclear do Irão”.

Esta disputa com a AIEA acontece ao mesmo tempo que decorrem há dois meses em Viena negociações sobre a recuperação do acordo nuclear de 2015 entre o Irão e as grandes potências.

O pacto limitava o programa nuclear iraniano em troca do levantamento de sanções contra a República Islâmica para evitar que Teerão obtivesse a arma atómica.

Em 2018, os Estados Unidos abandonaram o acordo nuclear e restabeleceram pesadas sanções. Um ano depois, o Irão começou gradualmente a deixar de cumprir as suas obrigações.

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