Nas imagens, Ahed, de 16 anos, surge junto da sua prima Nour, de 20, e da sua mãe Nariman e ordena aos soldados que saiam da entrada da sua casa, situada na região ocupada de Nabi Saleh, na Cisjordânia. A jovem agride os soldados - que não reagem - depois de uma bala disparada por eles ter atingido o rosto de um dos seus primos, com 14 anos. O jovem sofreu um sangramento interno severo, tendo sido sujeito a uma cirurgia.

De acordo com os israelitas, os soldados dispararam como resposta às pedras que estavam a ser atiradas pelos manifestantes palestinianos durante um protesto. Assim, avança a agência Reuters, Ahed Tamimi é acusada de 12 crimes, incluindo a agressão agravada aos soldados, de dificultar o cumprimento de deveres militares, incitação e lançamento de pedras.

“Tamimi mandou pedras aos soldados, ameaçou-os, impediu-os de cumprir o seu dever, tomou parte em tumultos e incitou outros a participar neles”, diz o exército de Israel na sua conta de Twitter. Porém, a advogada da jovem, Gaby Lasky, disse aos jornalistas que as acusações recaem também sobre seis diferentes incidentes, nos quais Ahed estava envolvida. Por exemplo, em 2012, foram partilhadas imagens onde a jovem agride o soldado que tentou deter o seu irmão mais novo.

Em Israel, um adulto pode enfrentar até 10 anos de prisão se agredir um soldado, contudo, tratando-se de uma menor, espera-se que a sentença seja diferente. A advogada Gaby Lasky diz que eventualmente o número de acusações feitas a Ahed poderá cair, no entanto, acredita que a justiça israelita deverá lutar pela pena máxima nas outras acusações. “Tenho a certeza de que vão querer mantê-la presa durante o maior período de tempo possível, porque não querem vozes de resistência fora da prisão”, disse Lasky à agência Reuters.

No meio do tumultuoso cenário que assombra a Cisjordânia, carregado de violência, detenções e mortes, a jovem de 16 anos, que os olhares distinguem rapidamente pela longa cabeleira loura, surge como um símbolo de resistência para os palestinianos. Na Cisjordânia ocupada, esta comunidade está sujeita à lei marcial imposta pelos israelitas, que tanto suspendem as leis locais como se sobrepõem a elas.

A detenção de Ahed levou um colunista de um jornal de esquerda israelita Haaretz a dizer que o país arriscava tornar a jovem na “Joana d’Arc da Palestina”. Já segundo o The Guardian, vários ativistas comparam a jovem palestiniana à ativista paquistanesa Malala Yousafzai.

Por outro lado, depois de o vídeo ter sido partilhado, vários comentadores e políticos consideraram que o facto de os soldados não terem reagido foi um acto de fraqueza e de humilhação. Citado pela Haaretz, o ministro da Educação, Naftali Bennet, disse à rádio do exército que a jovem "devia acabar os seus dias na prisão".

O caso de Ahed Tamimi fez recair, uma vez mais, as atenções sobre a forma como são tratados os menores palestinianos nos tribunais militares israelitas - em Israel, a idade mínima para um palestiniano ser preso é de 12 anos.

Segundo dados da B’Tselem, em agosto de 2017 havia 331 menores palestinianos em prisões israelitas. Entre 6 de dezembro - dia em que Donald Trump afirma que os Estados Unidos reconhecem Jerusalém como a capital de Israel - e 18 de dezembro, foram detidos 364 palestinianos na Cisjordânia, entre os quais 63 são menores.

O ativismo que vem nos genes

A jovem Ahed não é peça única do ativismo na sua família. Os Tamini são conhecidos, na zona de Nabi Saleh, pela sua posição contra as forças israelitas.

No vídeo em que Ahed agride os soldados, a jovem surge ao lado da sua prima Nour e da sua mãe Nariman. Ambas foram também detidas. Segundo o jornal Al Jazeera, a advogada da jovem, Gaby Lasky, diz que a mãe Nariman é acusada de “incitamento”, depois de ter publicado o vídeo nas redes sociais e de agressões que aconteceram no passado.

O pai de Ahed, Bassem Tamimi, é um ativista conhecido e já foi preso várias vezes. Perante a detenção da filha, o palestiniano descreve, no jornal Haaretz, Ahed como uma “lutadora pela liberdade”. “Ahed é uma das muitas mulheres jovem que daqui a uns anos vão liderar o movimento de resistência às regras Israelitas”, diz Bassem.

Manal Tamimi, familiar de Ahed, também foi detida durante uma manifestação, junto do centro prisional Ofer, que exigia a libertação dos seus familiares e de Muther Amira, outro ativista palestiniano do campo de refugiados de Aida, em Bethlehem’s, que foi preso na semana passada.

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