“É inadmissível que três anos depois não tenhamos uma solução para o caso. Não podemos aceitar que as autoridades não deem uma resposta clara a esta tentativa de silenciar uma vereadora que foi assassinada em pleno exercício de seu mandato”, afirmou a diretora da Amnistia Internacional (AI) no Brasil, Jurema Werneck, em conferência de imprensa.

Marielle Franco, uma mulher negra, lésbica, que atuava como vereadora na câmara municipal do Rio de Janeiro, foi morta a tiros em 14 de março de 2018 com o motorista, Anderson Gomes, após participar de um evento político.

Além das críticas ao trabalho da polícia brasileira, a diretora da AI lembrou que a execução de Marielle Franco se tornou um marco para as organizações globais.

“O mundo continua atento, o mundo continua querendo saber [quem mandou matar Marielle], quer até saber onde estão as autoridades que não vêm dar notícias em público”, afirmou Jurema Werneck.

Em 2019, as autoridades prenderam dois ex-policias acusados de serem os autores materiais do crime, que serão julgados por homicídio qualificado, mas entidades não governamentais exigem que a polícia também prenda os mandantes do crime e esclareça seus motivos.

Assim, perto de o crime completar três anos, a Amnistia Internacional voltou a exigir que o processo seja realizado com “rapidez, seriedade e imparcialidade”.

“Enquanto esse crime brutal não for solucionado, ninguém tem certeza, porque a mensagem que se passa é a impunidade”, disse Werneck, lembrando que “o Brasil é o terceiro país mais perigoso do mundo” para os ativistas.

A Amnistia Internacional pretende entregar ainda hoje ao atual governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro, e ao procurador-geral do estado do Rio de Janeiro, Luciano Mattos, uma petição que reuniu mais de um milhão de assinaturas de “pessoas do Brasil e do mundo que exigem justiça há três anos”.

Paralelamente, o Instituto Marielle Franco, fundado pela irmã da ativista, Anielle Franco, lançou hoje um dossiê sobre as questões pendentes no caso.

“Percebemos como as investigações passaram por dezenas de mudanças e como, após três anos, não obtivemos uma resposta sobre o indutor do crime e a real motivação por trás de um crime tão grave, brutal e bárbaro”, disse Anilelle Franco.

A irmã da vereadora e ativista assassinada considerou que três anos é um “período constrangedor” para as autoridades brasileiras.

“As autoridades brasileiras têm um verdadeiro relato de incompetência para solucionar o crime (…). O Brasil não pode ser o país da impunidade”, alertou Anielle Franco.

Face à pressão crescente dos setores da sociedade civil, de ativistas e de organizações internacionais, o Ministério Público do Rio de Janeiro anunciou no dia 4 de março a criação de um grupo de trabalho com o objetivo de acelerar e encerrar as investigações, medida considerada “tardia” pelas famílias de Marielle Franco e Anderson Gomes.

Nesse sentido, a diretora da Amnistia Internacional elogiou o trabalho e a luta dos familiares da vereadora morta e concluiu frisando que “Marielle Franco não está aqui, mas seu silêncio foi rejeitado”.

“Suas sementes estão aí”, declarou.

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