Na ocasião, o reitor da Universidade de Salamanca, Ricardo Rivero, agradeceu a Ana Luísa Amaral pela sua obra, capaz de “iluminar” um lugar histórico como Auditório desta instituição académica (onde a cerimónia decorreu) com 800 anos e no qual a autora portuguesa, falando num espanhol irrepreensível, mostrou a sua satisfação por ser a terceira portuguesa a receber o galardão.

Rivero deixou ainda palavras de agradecimento à "república irmã de Portugal" e congratulou-se com o facto de nesta altura, depois da pandemia, "já estarem abertas as pontes e estradas que ligam os dois países”.

Na sua intervenção, Ana Luísa Amaral recordou o seu passado, evocando o tempo que passou num colégio de freiras espanholas em Portugal, que a ensinaram a comer “churros e empanadilhas de atum com tomate”.

Ana Luísa Amaral defendeu o papel da poesia como “pontes que equilibram as coisas e as pessoas”, como a fusão “entre o passado e o presente com o futuro” e como “o veículo dos tempos que não existem, e onde é possível imaginar um futuro melhor”.

Com a sua obra ligada a alertas sociais e sobre o papel da mulher, Ana Amaral falou de um “mundo de sentidos” em que o ser humano “tem direito a ter uma vida decente e uma morte digna”.

Neste contexto alertou para “as novas ditaduras” que podem revelar-se depois da pandemia, em que se “acentuou o fosso entre ricos e pobres”, considerando “urgente” a necessidade de “questionar”, porque “questionar é contrário de submissão”.

A presidente do Património Nacional, Ana de la Cueva, referiu que com este prémio se homenageiam as “letras ibero-americanas” num ano de “enorme significado”, já que se assinala o 30 .º aniversário do Prémio e se inicia a “recuperação gradual da normalidade”, depois de um período pandémico em que ficou demonstrado que “a cultura é essencial”.

Considerando Ana Amaral como a autora que definiu a poesia como “o antídoto da barbárie e do ódio”, a presidente do Património Nacional elogiou a obra da poetisa por “dar voz às mulheres, aos oprimidos, aos refugiados”.

Durante a cerimónia foram recordados vencedores deste Prémio Ibero-americano de Poesia recentemente falecidos, como Caballero Bonald, Francisco Brines, Ernesto Cardenal ou Joan Margarit.

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