Para a Anarec as condições de segurança devem também ser garantidas aos motoristas que vão estar incumbidos de cumprir os serviços mínimos que venham a ser definidos, o que exigirá uma “articulação entre a Rede de Emergência de Postos de Abastecimento (REPA) e as forças de segurança”.

“Consideramos essencial que seja feita uma divulgação ampla da REPA juntos das entidades prioritárias, como forma de facilitar os abastecimentos efetuados por estas entidades”, refere o presidente da direção da Anarec, Francisco Albuquerque, em comunicado.

A Anarec foi uma das entidades que, a par com o Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), o Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM) e a ANTRAM, estiveram reunidos hoje na Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT), para definir os serviços mínimos para a greve de agosto, tendo a reunião terminado sem que houvesse consenso sobre esta questão.

No pré-aviso de greve entregue pelos sindicatos, eram propostos serviços mínimos de 25% em todo o país. Por sua vez, as empresas propunham 70% de serviços mínimos garantidos.

Para Anarec, os serviços mínimos propostos pelos sindicatos são “claramente insuficientes” tendo em conta a situação constatada em abril, “em que os mesmos foram previstos em número superior [40%], e já se revelaram incapazes de fazer face às necessidades básicas da população e do tecido empresarial português”.

Na greve iniciada em 15 de abril, o Governo estipulou a garantia dos serviços mínimos com 40% dos trabalhadores em funções, mas apenas para Lisboa e Porto.

Posteriormente, o Governo acabou por decretar uma requisição civil e, depois, convidar as partes a sentarem-se à mesa de negociações.

Manifestando a sua preocupação pelo impacto e efeitos que esta nova greve possa ter na população e na rede de postos de abastecimento por todo o país, a Anarec sublinha a sua disponibilidade para continuar a colaborar com todas as entidades do setor no sentido de minimizar os impactos da paralisação, caso a mesma venha efetivamente a concretizar-se.

Na segunda-feira, o SIMM ameaçou consequências mais graves para a greve que começa em 12 de agosto do que as sentidas em abril, através de uma carta aberta enviada às redações.

O sindicato avisou que, além dos combustíveis, a próxima greve vai afetar também o abastecimento às grandes superfícies, à indústria e aos serviços, podendo “faltar alimentos e outros bens nos supermercados”.

A indústria, alertou o SIMM, “vai sofrer graves perdas e grandes exportadoras como a Autoeuropa correm o risco de parar a laboração”.

Os representantes dos motoristas pretendem um acordo para aumentos graduais no salário-base até 2022: 700 euros em janeiro de 2020, 800 euros em janeiro de 2021 e 900 euros em janeiro de 2022, o que com os prémios suplementares que estão indexados ao salário-base, daria 1.400 euros em janeiro de 2020, 1.550 euros em janeiro de 2021 e 1.715 euros em janeiro de 2022.

Estes sindicatos acusam a ANTRAM de já ter aceite este acordo e de agora estar a voltar atrás na decisão, o que a associação desmente.

Segundo fonte sindical, existem em Portugal cerca de 50.000 motoristas de veículos pesados de mercadorias, 900 dos quais a transportar mercadorias perigosas.

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