Como é que o mundo da aviação entrou na tua vida?

André Garcez (A.G.): Foi através da minha família. Sempre estive envolvido no mundo da aviação. O meu pai e o meu tio foram pilotos da Força Aérea nos anos 80 e hoje são comandantes da TAP. O bichinho esteve sempre lá e foi crescendo até entrar no mercado de trabalho. Hoje em dia fotografo aviões como freelancer e integro a equipa de marketing da L3 Airline Academy a nível mundial, desde final de 2015.

E nunca pensou em ser piloto de aviões?

A.G.: Sim, quando andava na escola pensava nisso mas depois, através da minha mãe, comecei a ter gosto pela fotografia. Quando tinha 16 anos fui ao Aeroporto de Lisboa fotografar os aviões e nunca mais parei. Hoje, a minha carreira de fotógrafo de aviação tem 10 anos.

E como é a vida de um fotógrafo de aviação?

A.G.: É uma vida fantástica, principalmente porque gosto muito do que faço. Tenho oportunidade de viver experiências que de outra forma nunca as viveria. Por exemplo, voar com a Força Aérea Portuguesa em missões de salvamento nos Açores, ir à Coreia do Norte voar com a frota oficial de aviões do presidente Kim Jong-Un, ir aos EUA a um festival aéreo e conhecer pessoas de todo o mundo.

Tem a possibilidade de enriquecer a sua vida não apenas em termos profissionais mas também em termos pessoais.

Sim, o meu trabalho de fotógrafo na aviação ajudou-me a enriquecer o portfólio mas também os meus conhecimentos pessoais, a aprofundá-los. Todas estas experiências de voo levaram-me até aqui. Se hoje estou na L3 é porque me conheceram através de reportagens que fiz sobre a escola de pilotos.

Atualmente vive em Ponte de Sor. Como é viajar pelo mundo inteiro e viver numa cidade do interior do país?

A.G.: Há dois anos e meio que vivo em Ponte de Sor. É fantástico. Esta não é uma terra “normal”, acho que é única num panorama nacional e não há muitas assim a nível mundial. Estamos a falar de uma cidade no interior do país em que não tem obviamente as mesmas distrações que tem uma cidade grande. Estamos a falar de cerca de 300 alunos internacionais, mais os instrutores e os colaboradores da escola que acabam por dar uma dinâmica e uma vida espetacular à cidade. É fantástico e impossível esgotar as pessoas que temos para conhecer. Todos os meses recebemos novos alunos, ou seja, é uma fonte infindável de conhecimento.

O André acaba por ser a ponte entre os novos alunos, a escola e a região.

A.G.: Estamos a falar de uma cidade pequena em que é impossível separar a vida privada da profissional. Uma pessoa que saia do trabalho e que se feche em casa para se abstrair do meio aeronáutico, quer seja colaborador ou aluno, vai-se fartar rapidamente de morar aqui, por não poder fazer nada. Por exemplo, em Ponte de Sor há apenas dois ou três bares, sempre que vamos a um destes locais sabemos que vamos encontrar lá amigos, mesmo sem combinar. E depois os alunos são pessoas fantásticas, de todas as idades, de vários países, creio que atualmente estão representados no campus perto de 30 países diferentes. Tenho grandes amigos dentro da escola, quer sejam alunos a estudar connosco quer sejam pessoas que já estão a voar em companhias aéreas. Morar em Ponte de Sor é uma experiência única.

E qual é o feedback desses alunos? Gostam de viver em Portugal e em Ponte de Sor?

A.G.: Eles gostam. Reconhecem que a escola está localizada num local de excelência para o treino de piloto porque não há distrações. Aqui focam-se 100% no curso. Depois, sendo estrangeiros não estão habituados a tanta simpatia, ao calor que os portugueses são conhecidos por dar. Estranham os valores baixos na restauração, por exemplo. E ainda têm a possibilidade de, nos seus períodos de descanso, poderem percorrer o país para conhecer novos locais. Estamos a uma hora de Castelo Branco e Évora e com pouco mais de uma hora chegamos a Lisboa. Se souberem gerir o tempo conseguem fazer muita coisa.

Enquanto fotógrafo de aviação deve ter algumas histórias para contar.

A.G.: Podemos começar pela história da escola. É muito bom acompanhar alunos e o seu percurso desde o primeiro dia até conseguirem emprego numa companhia aérea. Para mim, é muito especial voar num avião da TAP ou da EasyJet e ver que o piloto é uma pessoa que conheci no seu primeiro dia de aulas. Outra história que já referi foi quando, em 2013, acompanhei a Força Aérea em missões de busca e salvamento nos Açores. Ver de perto aqueles heróis a salvarem vidas, no meio de temporais, a voar em locais onde mais ninguém vai faz a diferença e foi muito especial. Em 2014 também tive o prazer de acompanhar o último voo de um comandante da TAP, antes de se mudar para a Emirates Airlines. Assim que o avião aterra, o comandante começa a chorar enquanto é abraçado pelo co-piloto. Tenho uma boa fotografia de um momento que era só deles e que quase me senti a mais. Outra experiência que me marcou muito foi a viagem à Coreia do Norte, onde fui sozinho de Portugal, sem internet nem telefone e disse apenas à família que em determinado dia era suposto voltar. Foi muito enriquecedor e uma das experiências mais marcantes.

Enquanto elemento da equipa de comunicação da L3, marcou presença no Air Summit. Que balanço faz*

A.G.: Espetacular. O Município está de parabéns. Estive cá no ano passado e há uma grande evolução. Este evento coloca Ponte de Sor no mapa da aviação, digo a todos os amigos e conhecidos que este é o melhor local para se voar e o melhor aeródromo do país. O Portugal Air Summit serve para mostrar as excelentes instalações mas também para juntar num só local todo o sector da aviação e debater e gerar novas oportunidades.

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