“Avançamos muito menos do que os tempos permitem. Estamos ainda distantes da instauração institucional e da prática dos requisitos mínimos de uma democracia autêntica”, afirmou Isaías Samakuva, na abertura das VI jornadas parlamentares da UNITA, que arrancaram hoje em Luanda, as últimas antes das eleições gerais de agosto.

O líder da UNITA apontou que em Angola ainda se registam “atos violentos resultantes da não-aceitação das opções políticas dos outros”, apesar do fim da guerra civil, em abril de 2002.

“Como povo, ainda não conseguimos assegurar bem a continuidade e o hábito das formas de convivência política”, admitiu o líder do maior partido da oposição angolana, sublinhando ser necessária uma “grandeza patriótica” para preservar a paz no país.

“”Os nossos netos e bisnetos, reconciliados com a paz e a democracia, reterão do período da guerra entre irmãos apenas uma pálida e vaga ideia daqueles tempos obscuros da nossa história”, disse Samakuva.

Num olhar a atual situação socioeconómica do país, o presidente da UNITA considerou que a governação angolana preocupou-se sobretudo em controlar a economia do país, retirando proveito dos cargos públicos.

“Ao invés de realizar a missão que a nação que lhes confiou, os órgãos de governação e o grupo social que os controla resolveram utilizar os lugares que ocupam para engendrar esquemas sofisticados de desvios de erário público constituindo cartéis para controlar a economia”, acusou.

Estas jornadas parlamentares da UNITA tiveram início hoje e decorrem até quarta-feira, sob o lema “Pela cidadania, transparência e boa governação”.

“O compromisso da UNITA com a paz e a democracia é irrenunciável e irreversível, vamos resistir por todos os meios democráticos e pacíficos a todas as manobras e artifícios que visam mascarar, corromper ou destruir a democracia. Vamos denunciar a subversão e a corrupção políticas”, concluiu Isaías Samakuva.

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