"A realidade é muito dolorosa para a nova oposição. E é tão dolorosa que os leva [PSD e CDS-PP] agora a refugiarem-se numa nova barricada. Não me recordo em nenhum país democrático, e seguramente em Portugal, que alguma vez a oposição tenha brincado com o fogo com a dívida pública para procurar fazer oposição ao Governo em funções, pondo em causa o interesse nacional", declarou o chefe do Governo, respondendo à intervenção do deputado do PS Carlos César no debate quinzenal no parlamento.

António Costa lembrou que já foi líder da oposição, como agora é Passos Coelho (PSD), e reconheceu que esse é um papel difícil para qualquer político, mas de todo o modo asseverou: "Nunca ninguém me ouviu a dizer uma palavra que perturbasse a confiança dos mercados e muito menos alguém me viu acender uma vela para que os juros da divida pública aumentassem prejudicando o interesse nacional".

E, continuou, aludindo ao anterior executivo PSD/CDS-PP: "Já sabíamos que quem não sabe ser oposição, não sabe ser Governo. Agora ficamos a saber que quem não soube ser Governo, também continua a não saber ser oposição".

Depois, Costa falou de declarações da antiga ministra das Finanças do PSD Maria Luís Albuquerque e, embora sem dizer o nome da social-democrata, lamentou as palavras de quem dizia que "era aritmeticamente impossível" o país fechar 2016 com um défice abaixo dos 3%.

"Aquilo que sabemos hoje é que o défice ficará aritmeticamente abaixo de 2,3%", declarou, perante os aplausos da bancada socialista.

O PSD, insistiu, "continua igual a si próprio e na oposição continua a falhar na previsão que faz do défice de outros".

António Costa lembraria depois os vários orçamentos retificativos aprovados pelo anterior executivo de centro-direita.

Carlos César destacou também na sua intervenção as questões da descentralização, matéria que mereceu acompanhamento do primeiro-ministro.

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