Na abertura da reunião da Comissão Nacional do PS, realizada este sábado, António Costa, afirmou que na sede do conselho Europeu “há vários países que resistem a que seja rapidamente aprovada a proposta da comissão Europeia”, para o plano de recuperação económica.

No entanto, Costa garantiu que no próximo mês será feito “um enorme esforço para que não se desperdice a oportunidade de ainda em julho ser aprovado não só o próximo quadro financeiro plurianual, mas também o plano de recuperação proposto pela Comissão Europeia”. De acordo com o Primeiro-Ministro, “isso é absolutamente vital, para que em janeiro possamos ter todas as condições para iniciar esse programa de recuperação”.

António Costa vincou também que esta não é apenas uma necessidade dos países do Sul da Europa, mas “uma necessidade de todos os países da União Europeia”, porque quando se vive “num mercado único (…) todos somos essenciais para que essa recuperação possa existir. Esta é mesmo uma daqueles situações onde não há dois caminhos. Ou saímos todos juntos da crise ou ninguém vai sair da crise, portanto, esta é uma batalha na qual nos temos de empenhar e que temos de ganhar”, declarou.

Ninguém pode ficar para trás

Relativamente à recuperação económica, Costa explicou que será um caminho longo e que não é algo " que se faça em dois meses, nem seguramente se fará num ano". "Há quem diga que são dois, há quem diga que são três", mas, segundo o primeiro-ministro, "não é o tempo que nos deve assustar". O foco é a criação de condições de estabilização, para que se consiga atingir a recuperação económica, que não é algo que se obtém com "respostas de austeridade", mas com "apoio ao rendimento e ao emprego".

"Se nós não tivéssemos recuperado e reforçado a sustentabilidade da nossa segurança social, como fizemos nos últimos cinco anos, a Segurança Social não teria capacidade para responder como respondeu às necessidades imensas que de repente se abateram", vincou António Costa, que não deixou de salientar a importância de ter sido aprovado, através do Orçamento Suplementar, o investimento no Serviço Nacional de Saúde, como resposta à crise.

Segundo o primeiro-ministro "ninguém pode ficar para trás". "Se queremos que a sociedade continue a responder como uma comunidade, para se proteger uns aos outros da pandemia, nós também temos de nos proteger uns aos outros relativamente à crise e aos efeitos tão desiguais que a crise tem sobre uns e tem sobre outros", concluiu.

Com o PS "não haverá Bloco Central"

O secretário-geral socialista garantiu hoje que vai manter o rumo político e não haverá "Bloco Central" PS/PSD, frisando que recusa aceitar que a esquerda seja incapaz de se entender sobre uma visão comum para o país.

António Costa deixou esta série de recados sobretudo dirigidos ao Bloco de Esquerda e ao PCP na intervenção que proferiu perante a Comissão Nacional do PS, em que se referiu principalmente à forma como se desenrolaram as negociações políticas da proposta do Governo de Orçamento Suplementar para 2020, aprovada na sexta-feira em votação final global.

Uma proposta que teve o apoio dos socialistas, abstenções do PSD, Bloco de Esquerda e PAN e a oposição do PCP, PEV, Iniciativa Liberal e Chega.

Sem se referir diretamente ao voto contra dos comunistas, assim como a movimentações táticas, principalmente entre comunistas e Bloco de Esquerda, no atual quadro parlamentar, o secretário-geral do PS falou então em jogos perigosos em termos de consequências políticas.

"Cada um é livre de seguir o caminho que entende. Mas não pode acontecer que cada um ache que o outro vai agir de uma forma, com isso condicionar o seu próprio comportamento e, depois, enganando-se na forma como o outro está a agir, acaba por conduzir a uma situação que ninguém deseja", advertiu.

Por isso, segundo António Costa, "que fique já claro: Connosco não haverá Bloco Central, connosco haverá a continuidade da política que seguimos desde novembro de 2015".

De acordo com o líder socialista, perante várias propostas apresentadas no âmbito da especialidade do Orçamento Suplementar para 2020, "não foi o PS que votou ao lado do PSD, nem foi o PS que votou ao lado do CDS" - aqui numa alusão ao facto de os partidos à esquerda dos socialistas se terem juntado aos democratas-cristãos sobre a não devolução dos manuais escolares.

António Costa aproveitou então para frisar que o PS "continuará firme quanto à estratégia que aprovou em 2014 e não há nenhuma razão para a rever".

"Não altero a interpretação que fiz dos resultados eleitorais [de outubro passado] e reafirmo claramente o que disse no debate do Orçamento Suplementar. Disse que é obviamente com aqueles que têm construído uma alternativa à direta desde novembro de 2015 com quem contamos para vencer esta crise", salientou.

Por isso, na preparação do Orçamento para 2021, mas também no horizonte desta legislatura, António Costa considerou "essencial uma estabilidade renovada que deve ser construída com o PCP, com o Bloco de Esquerda e PEV - e se o PAN e o Livre quiserem são bem-vindos".

Mas o secretário-geral do PS foi ainda mais longe na série de avisos ao PCP e Bloco de Esquerda.

"Recuso-me a aceitar que a esquerda só se consiga entender quando está em causa saber se os salários sobem mais isto ou mais aquilo, se vamos investir mais nisto ou naquilo em qualquer medida do Estado social, não sendo capaz de o fazer sobre uma visão comum para o país e sobre as bases de uma recuperação económica. Isso seria negar a confiança que muitos eleitores depositaram", advogou.

António Costa advertiu igualmente para as consequências caso se abra uma crise política por desentendimento à esquerda.

"Ninguém pense que o mandato que uns e outros receberam não foi o mesmo. As circunstâncias são diversas? Claro que são, já que subitamente fomos impactados por uma brutal crise inesperada de dimensão à escala global, mas isso não significa qualquer inversão do rumo ou marcha atrás", insistiu.

Neste contexto, para afastar cenários de entendimentos à direita com o PSD, António Costa acentuou que não mudou de ideias desde o momento em que se candidatou ao cargo de secretário-geral do PS em 2014.

"O Bloco Central não é a solução para a governação do país, porque o país precisa sempre de alternativas claras no campo democrático", acrescentou.

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