A entrevista a dois começou por um comentário-pergunta. "Não lhe vou perguntar se está assustado, estamos todos assustados. Só os inconscientes é que não estão (...) Vou-lhe perguntar apenas se está muito assustado ou suficientemente assustado?, questionou Miguel Sousa Tavares.

Perante a questão, o primeiro-ministro disse que "este não é o momento para graduar o susto", mas que todos "temos de ter consciência da emergência que estamos a enfrentar" e "evitar o pânico generalizado". Costa elogiou, depois, a reação dos portugueses, classificando-a como "notável".

A entrevista viria a centrar-se depois no Sistema Nacional de Saúde (SNS) e nos meios que tem ao seu dispor.

"Até agora, não faltou nada. E não é previsível que venha a faltar o que quer que seja", garantiu o chefe do Governo.

"Houve já um reforço de mil médicos e de 1800 enfermeiros", disse em alusão às equipas do SNS. Sobre a aquisição de material em falta, António Costa informou que o "Governo pagou 10 milhões de dólares para adquirir 500 ventiladores na China e que chegarão progressivamente até 14 de abril". Além disso, Costa sublinhou na entrevista à TVI que tem havido doações privadas, como a de 72 ventiladores por parte da EDP, e que as Forças Armadas terão em breve duas mil camas "de reserva".

O primeiro-ministro garantiu também que ainda não foi necessário ir à reserva de material para proteção individual e que a DGS irá publicar uma norma para definir a forma de utilização do material de proteção individual nas várias funções de risco.

Sobre a possibilidade de se atingir um ponto de rutura no SNS, António Costa preferiu não falar de números. "Creio que não vamos atingir o ponto de rutura", disse sublinhando depois que se está a trabalhar com base num cenário elaborado por um conjunto de instituições, entre elas a Escola de Saúde Pública e a Direção-Geral de Saúde.

"Pelos estudos que temos, no pior dos cenários, nunca vamos perder o controlo da situação", declarou o líder do executivo acrescentando de seguida que "mais vale termos capacidade em excesso do que a menos".

António Costa fez questão de sublinhar, porém, que "esta estratégia de achatar a curva prolonga a duração da epidemia e isso tem consequências". "Estas medidas que estão a ser adotadas para 15 dias, provavelmente têm de ser para mais tempo (...) Mas é melhor que seja por mais tempo e que haja o menor número de pessoas afetadas simultaneamente", acrescentou.

Relativamente às indicações da Organização Mundial de Saúde ("testar, testar, testar"), António Costa destacou que o SNS tem capacidade para fazer 10 mil testes e que estão encomendados 280 mil testes rápidos, que vão chegar "nos próximos dias" — esta semana apenas chegarão 80 mil. O primeiro-ministro referiu ainda que estão a ser desenvolvidas outras modalidades de testes rápidos sem revelar, no entanto, se está a ser pensada uma alteração no protocolo clínico.

O impacto da pandemia na economia portuguesa mereceu também a atenção do primeiro-ministro e dos entrevistados. "Vamos ter esta situação pandémica até final de maio. Vamos aguentar, o melhor possível, até final de maio", pediu António Costa. Até junho, referiu, o fundamental "é não destruir empresas e empregos e suportar o rendimento das famílias o melhor possível".

Ainda sobre o impacto na economia, António Costa quis ser franco: “não há bóias que nos ajudem num tsunami. Um tsunami é um tsunami e temos um tsunami pela frente. Não vale a pena criar a ilusão que vamos passar este processo sem dor. Vai haver dor”, afirmou.

"Os danos económico vão prolongar-se. Não é possível ter uma loja fechada quinze dias, um mês, dois meses, três meses, sem que isso signifique uma enorme perda de capital e um enorme sacrifício para os trabalhadores", disse. E dirigindo-se às empresas pediu: "este não é o momento de fazer despedimentos, é o momento para empresários se debaterem pela sua empresa e pelos seus trabalhadores".

O primeiro-ministro afirmou depois esperar que a União Europeia adote a curto prazo um grande plano para a mobilização e reconstrução das economias dos Estados-membros, visando combater a crise provocada pela pandemia de covid-19. O líder do executivo português não se referiu em concreto aos chamados "eurobonds", mas apontou avanços positivos quando a União Europeia anunciou 37 mil milhões de euros para reprogramação de dinheiro já alocado, a Comissão Europeia flexibilizou o Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) e o Banco Central Europeu decidiu injetar mais 750 mil milhões de euros para a aquisição de dívida pública.

"Tenho a certeza que vai ser muito duro o debate no Conselho Europeu da próxima quinta-feira. Temos de ter um grande plano, chamem-lhe Marshall ou von der Layen, o nome como quiserem. A Europa tem de ter um grande projeto de mobilização e de reconstrução económica depois desta pandemia", declarou o líder do executivo português.

Em Portugal, estão confirmadas 23 mortes associadas ao vírus da covid-19 e 2.060 infeções, segundo o balanço feito hoje pela Direção-Geral da Saúde.

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