Esta entrega envolve a totalidade do acervo de Paulo Mendes da Rocha e segue-se à doação, em 2015, do projeto do Museu Nacional dos Coches à Casa da Arquitetura e, em 2018, de um conjunto de sete projetos para a Coleção Arquitetura Brasileira do Centro Português de Arquitectura, acervo que remonta de 1930 até à atualidade.

"O acervo de Paulo Mendes da Rocha que agora chega à Casa da Arquitectura, engloba todo o material produzido durante a sua longa vida profissional, desde a década de 50 do século passado até aos nossos dias", adianta a instituição portuguesa, em comunicado.

A incorporação reúne cerca de 8800 objetos, relativos a mais de 320 projetos, e "é composta por cerca de 6300 desenhos analógicos, 1300 desenhos físicos, três mil fotografias e 'slides', um conjunto de maquetes feitas pelo próprio" Mendes da Rocha e aproximadamente 300 publicações, segundo o comunicado da instituição.

A Casa da Arquitectura irá realizar uma exposição monográfica dedicada ao arquiteto, "em meados de 2022", e este arquivo será disponibilizado 'online'.

A exposição contará, na equipa curatorial, com a arquiteta Catherine Otondo, que esteve envolvida na inventariação. O diretor executico da Casa da Arquitectura, o arquiteto Nuno Sampaio, garante que será a "maior exposição sobre a obra de Paulo Mendes da Rocha a realizar em Portugal", citado pelo comunicado hoje divulgado.

A Plataforma Digital do Arquivo da Casa, a lançar até ao final do ano, disponibilizará o arquivo, pemitindo o acesso a todos os documentos.

"A Casa da Arquitectura tem como compromisso a manutenção da unicidade deste acervo", a sua apresentação "partilha e disponibilização a investigadores, estudantes e universidades, a custo zero", lê-se no comunicado.

O Centro de Estudos e Documentação da Casa da Arquitetura, criado no ano passado, "vai promover e incentivar a investigação" deste património, nomeadamente através de bolsas, em parceria com instituições públicas portuguesas e Universidades de todo o mundo.

"A Casa da Arquitectura fica responsável pela preservação" deste conjunto documental, e pela gestão da "política de empréstimos".

"A obra de Paulo Mendes da Rocha é reconhecida pelo seu mérito e qualidade em todo o mundo", afirma Nuno Sampaio, citado pelo comunicado.

"Tive a oportunidade de trabalhar com o arquiteto no projeto do Museu dos Coches e admiro-o muito pelo seu pensamento e frontalidade. Podendo escolher qualquer instituição mundial para incorporar o seu acervo, regozijo-me que tenha optado por integrá-lo na Casa da Arquitetura", afirmou o diretor executivo.

Prémio Pritzker, em 2006, Leão de Ouro de carreira na Bienal de Arquitetura de Veneza, em 2016, Paulo Mendes da Rocha nasceu em 1928, em Vitória, no estado brasileiro do Espírito Santo.

Concluiu o curso de Arquitetura em 1954, em São Paulo, cidade onde começou a exercer e onde três anos mais tarde, conquistou o Grande Prémio da Bienal, com o edifício do Ginásio do Clube Atlântico Paulista.

Em 1969, coassinou o Pavilhão Oficial do Brasil, na Expo 70, em Osaka, no Japão, e esteve entre os finalistas do concurso para o Centro Cultural Georges Pompidou, em Paris (1971).

O Museu Brasileiro de Escultura, em São Paulo (1987), nomeado para a primeira edição do Prémio Mies van der Rohe de Arquitetura Latino-Americana, e o restauro da Pinacoteca do Estado de São Paulo, com que conquistou o galardão, em 2000, estão entre os seus principais projetos, assim como o Museu de Arte de Campinas (1989), o conjunto arquitetónico do Cais das Artes, em Vitória, e a reforma da Estação da Luz, em São Paulo, convertida em Museu da Língua Portuguesa (2006).

Paulo Mendes da Rocha é primeiro sócio honorário da Casa da Arquitetura. Fez parte da mostra coletiva “Infinito Vão – 90 Anos de Arquitetura Brasileira”, em 2018, neste centro português, e mostrou “Duas Casas de Paulo Mendes da Rocha”, em 2018-2019.

A ministra portuguesa da Cultura, Graça Fonseca, também citada pelo comunicado hoje divulgado, disse que “é com muito orgulho" que Portugal acolhe "o acervo integral do prestigiado arquiteto brasileiro", "tão importante para a história e conhecimento da arquitetura contemporânea a nível mundial".

O presidente da Casa da Arquitetura, José Manuel Dias da Fonseca, vê na doação do arquivo, "um momento grande para Portugal".

"Um dos maiores arquitetos do mundo reconheceu no país e na Casa, o abrigo certo para todo o seu arquivo, através desta doação. Exemplar".

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