A proposta foi aprovada, com abstenção da CDU, BE e PAN, na sessão extraordinária da Assembleia Municipal do Porto que decorreu na segunda-feira.

Na sessão, a vereadora da Juventude e Desporto da Câmara do Porto, Catarina Araújo, afirmou que a Estratégia da Juventude do Porto 4.0 estabelece cinco objetivos a concretizar nos próximos quatro anos: “empregabilidade, aprendizagens de qualidade, diversidade e igualdade de oportunidades, ambiente e desenvolvimento sustentável, e participação jovem”.

As metas da estratégia, na qual estiveram envolvidos 746 participantes, podem, contudo, ser “revistas e calibradas em 2023”, assegurou a vereadora.

“Esta estratégia não começou a ser construída nem hoje, nem ontem. Tivemos todo um percurso que discutimos com os jovens. Este não é um documento de rotura da anterior estratégia”, salientou Catarina Araújo, acrescentando que os objetivos “preconizam as preocupações” dos jovens.

A deputada Susana Constante Pereira, do Bloco de Esquerda, afirmou que a proposta apresenta “algumas fragilidades do ponto de vista da promoção da participação jovem” e não contempla uma “série de questões”, como a habitação e o emprego.

“A habitação e o emprego são respostas ausentes”, disse.

Também Rui Sá, deputado da CDU, considerou “não estarem plasmados um conjunto de assuntos importantes”, dando o exemplo da habitação, e propôs que a votação da estratégia fosse adiada para depois das eleições autárquicas, marcadas para 26 de setembro.

“Achamos que é um documento interessante, mas implica um conjunto de compromissos a serem assumidos pelo próximo executivo da Câmara Municipal. Não parece certo estar a dizer aos outros o que fazer”, disse, acrescentando que a estratégia tem “muito ‘software’ e pouco ‘hardware'”.

Para o PAN, a estratégia também “não cobre uma série de respostas” e precisa de “uma outra análise, discussão e plano de operacionalização que saia dos papéis” e que garanta “as respostas necessárias aos jovens”.

“Aquilo que tem sido a política da juventude não tem acompanhado os desafios da juventude. Espero que esta estratégia possa ir mais além e dar resposta às reais necessidades dos jovens no século XXI”, afirmou Bebiana Cunha.

Já Miguel Gomes, deputado do movimento ‘Rui Moreira: Porto, O Nosso Partido’, disse não compreender como é que um documento “elaborado por jovens e associações de juventude” da cidade é “colocado em causa pela oportunidade política”.

“Esta visão compartimentada da juventude parece-me estranha. O assunto é simples e não conseguimos perceber a razão pela qual um documento com este valor possa estar a ser colocado em causa por razões de estratégia política”, considerou.

Por sua vez, o deputado socialista Rui Lage disse estranhar que o documento não tenha sido “precedido de um diagnóstico sociodemográfico do Porto” para fundamentar os seus objetivos e defendeu que a cidade só consegue “estancar a saída de jovens se tiver criação de emprego estável, de qualidade e bem remunerado”.

“A Câmara do Porto não tem nenhuma varinha de condão para gerar isso, mas os empregos gerados pela atividade turística são mal remunerados e não é com esses empregos que vamos conseguir segurar os jovens na cidade”, afirmou.

Também Fernando Monteiro, do PSD, afirmou não ser o “momento mais adequado” para votar a estratégia e comprometê-la para os próximos quatro anos e defendeu faltar “um pilar absolutamente estratégico para a juventude” no documento, nomeadamente, a habitação.

“A câmara deve ter estratégias para que os que cá estudam, cá continuem”, acrescentou.

A par dos objetivos estabelecidos para os próximos cinco anos, a Estratégia da Juventude do Porto 4.0 contempla ações a desenvolver pelo município, pelos jovens e pelas organizações de juventude em cinco áreas de atuação: cidadania ativa, informação jovem, apoio à colaboração, inovação e sustentabilidade das organizações de juventude, participação jovem e atividades de aprendizagem não-formal e informal realizadas com jovens.

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