“O senhor al-Araib é um refugiado e residente permanente da Austrália e o Governo está profundamente preocupado com a detenção prolongada na Tailândia", referiu a ministra dos Negócios Estrangeiros australiana, Marise Payne, em comunicado.

Al-Araib deve voltar para casa "para estar com amigos e família", sublinhou, acrescentando que a Austrália irá continuar a pressionar "ao mais alto nível a Tailândia e Bahrain" para a libertação do atleta.

A Tailândia não é signatária da Convenção da ONU sobre Refugiados, de 1951, e tem sido criticada por extraditar refugiados e requerentes de asilo para países onde são alvo de perseguição e de tortura.

Esta declaração acontece um dia depois de um tribunal da Tailândia ter decretado que o futebolista, que arrisca um processo de extradição para o país de origem, vai continuar detido pelo menos mais dois meses no país.

Também na segunda-feira, o ex-capitão da seleção australiana Craig Foster, que lidera uma campanha internacional para apoiar Al Araibi, que inclui a FIFA e o Comité Olímpico Internacional (COI), disse que o Bahrein e Tailândia deviam ser ameaçados de expulsão imediata do mundo dos desportos.

O tribunal concedeu a Hakeem al-Araibi 60 dias para apresentar a sua defesa e provas.

Em 2017, as autoridades australianas concederam o estatuto de refugiado ao futebolista, que havia chegado ao país em 2014, fugindo do Bahrein após ter sido condenado à revelia a dez anos de prisão por danos causados numa esquadra de polícia.

Em novembro passado, Hakeem chegou a Banguecoque, acompanhado pela mulher, vindo de Melbourne, para passar alguns dias de férias, quando foi detido no aeroporto tailandês, na sequência de uma notificação da Interpol.

Embora a Interpol tenha retirado a notificação em 4 de dezembro, o jogador continua detido num centro de imigração na capital tailandesa.

Na semana passada, a organização não-governamental Human Rights Watch (HRW) lançou uma campanha internacional para a imediata libertação de Al-Araibi, de modo a permitir que regresse à Austrália.

A iniciativa surgiu depois de as autoridades do Bahrein terem considerado inaceitáveis os pedidos de libertação apresentados pela FIFA ou pelo ex-capitão da seleção de futebol australiana Craig Foster.

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