"Escreve-lhe um Presidente da Câmara verdadeiramente inconformado com a situação que estamos a viver." É assim que Rogério Bacalhau Coelho, presidente da Câmara Municipal de Faro, começa a carta aberta dirigida ao primeiro-ministro, António Costa.

Em Faro, o autarca descreve uma situação "à beira da rutura", com mortes de "centenas de concidadãos" e com ambulâncias acumuladas "às portas das urgências" — situação que contrasta com os esforços dos profissionais de saúde, diz, que estão "para lá do limite e sem força física ou anímica para dar a resposta necessária para que não morra ainda mais gente".

"Enquanto este drama se desenrola nos hospitais públicos, o privado mantém-se inexplicavelmente à margem do esforço – e bastava uma decisão de Vossa Excelência para que isto mudasse. Uma decisão", apela o presidente a António Costa.

Nesta carta aberta, Rogério Bacalhau Coelho alerta também para a situação das casas de repouso e de apoio a idosos, cujas equipas de funcionários estão "dizimadas" e já não conseguem dar o apoio necessário às pessoas que têm em mãos. "O desespero reina nas instituições e nas famílias dos utentes, que temem não voltar a ver", remata.

O comércio e o turismo não ficaram também esquecidos, lembrando Rogério Bacalhau Coelho que "enquanto este quadro de holocausto se agrava", são "cada vez mais os Portugueses sem trabalho e sem modo de se susterem com dignidade".

"E Vossa Excelência sabe, como eu sei, que para a maior parte não haverá lay-off, nem moratórias, nem estado providência, nem bazuca europeia que lhes possa valer", avisa o presidente da Câmara Municipal de Faro, apelando a uma decisão que permita "minorar o estrago".

Nas escolas, é descrito um cenário de "medo" e é lançada uma farpa à política de vacinação em que não é dada prioridade a "professores e pessoal não docente".

"Mães e pais atormentam-se, incrédulos com tudo isto pois percebem que os estabelecimentos escolares deixaram de ser espaços seguros", afirma Rogério Bacalhau Coelho. "E a pergunta surge, naturalmente, nas salas de professores: de que estamos à espera para meter toda esta gente em segurança? Só o Sr. Primeiro-ministro tem a resposta".

Assim, depois de descrever o quadro que se vive em Faro, o autarca apela, em nome da "Câmara Municipal de Faro e dos Farenses", a que o executivo de António Costa tome a decisão de encerrar as escolas. "Decida pela vida e pela segurança de todos. Decida pelo fecho das escolas. Decida por um confinamento mais categórico. Decida por todos nós", termina a missiva.

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