O tema da mobilidade e da sustentabilidade esteve esta manhã em discussão numa conferência realizada no concelho de Loures, na qual participaram autarcas, especialistas e responsáveis por empresas transportadoras.

No primeiro painel, intervieram o primeiro secretário da AML, Carlos Humberto, e os presidentes das Câmaras Municipais do Seixal, Amadora e Mafra, que fizeram um balanço do primeiro mês após a redução do preço dos passes e perspetivaram o futuro da mobilidade na região.

Relativamente à redução do preço dos passes, Carlos Humberto referiu que durante o mês de abril se venderam três vezes mais cartões do que em igual período do ano passado, mas lembrou que os números “ainda têm de ser consolidados”.

“Para ser rigorosos, podemos falar num crescimento de 15% a 20%. É preciso olhar para a mobilidade como um todo e coser tudo”, apontou.

Questionado sobre os problemas originados pelo aumento da procura, o secretário da AML reconheceu a existência de alguns problemas, mas ressalvou que a diminuição do custo dos passes é “apenas o pontapé de saída”.

“Há pressões, mas não ruturas. Isto é um processo dinâmico e os operadores ainda se estão a adaptar. Iremos tentar responder à procura e aos problemas levantados, mas admito que no curto prazo não consigamos responder a todos os problemas”, atestou.

No mesmo sentido, o presidente da Câmara Municipal de Mafra, Helder Silva (PSD), referiu que no concelho “houve um aumento considerável da procura, mas os operadores têm feito o possível e impossível para responder a essa procura”.

“No período da manhã têm sido injetados mais autocarros porque a procura duplicou. Também temos tido mais carros dentro da cidade, devido ao aumento de pessoas que vêm de Torres Vedras para apanhar aqui o autocarro”, contou.

Já o presidente do Seixal, Joaquim Santos (CDU), lamentou o preço praticado pela empresa Fertagus, que faz a ligação ferroviária entre Lisboa e a península de Setúbal e é detentora de parques de estacionamento junto a terminais de transporte.

“Temos parques com dimensão, mas que não são utilizados devido ao elevado preço praticado. Aquilo que pretendemos é que esse parque de estacionamento passe para a gestão do município, como aconteceu no Montijo”, defendeu.

Já a presidente da Câmara Municipal da Amadora, Carla Tavares (PS), enalteceu a implementação da redução tarifária, mas ressalvou a necessidade de o município encontrar soluções de estacionamento.

“A redução do preço dos passes é o início de um processo que está longe de estar concluído. No caso da Amadora é um desafio muito grande, pois estamos a falar de um território muito pequeno, mas densamente povoado”, sublinhou.

Na sessão de encerramento, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa e da AML, Fernando Medina (PS), reiterou que o objetivo passa por “inverter o atual paradigma” e reduzir o número de utilizadores do transporte individual.

“Temos um modelo de mobilidade insustentável e em contraciclo ao que acontece noutros países mais desenvolvidos. O caminho deve ser reduzir a dependência do transporte individual”, defendeu o autarca.

Segundo dados apresentados neste congresso, a utilização de transportes públicos na AML era em 1991 de 51%, enquanto em 2017 esse número era de apenas 16%.

O Programa de Apoio à Redução do Tarifário dos Transportes Públicos (PART), destinado a todo o continente português, introduziu na AML e na Área Metropolitana do Porto um novo passe único, que entrou em vigor em abril, permitindo combinar viagens num único título que custa 30 euros se for de âmbito municipal e 40 no caso de abrangência metropolitana.

A Área Metropolitana de Lisboa recebe 74,8 milhões de euros, comparticipando o programa com 25 milhões, enquanto a Área Metropolitana do Porto recebe 15,4 milhões e comparticipa com mais de 377 mil euros.

Também as comunidades intermunicipais definiram alterações nos tarifários dos transportes públicos, que começaram, em alguns casos, a ser aplicadas em abril.

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