“A quatro dias da Festa do Avante!, o relatório da DGS, escondido até à ultima hora, é claro nas suas conclusões, reconhecendo o risco real de contágio”, realçou Francisco Rodrigues dos Santos.

O líder dos centristas acusou ainda o Governo e a DGS de se tornarem “coniventes com o risco real de contágio, agravando potencialmente a pandemia”.

“Em festa onde o PCP não paga impostos, quem vai pagar a fatura disto tudo é quem trabalha e quem quer trabalhar. Os portugueses são os bombos desta festa”, sublinhou.

Francisco Rodrigues dos Santos considerou ainda que a dualidade de critérios é flagrante: “para os amigos usam-se critérios políticos, para os outros recorre-se a critérios de saúde pública, aplicando-se-lhes a dureza da lei”.

“Entramos no estado de continência do PS ao PCP, para na próxima semana passarmos a situação de contingência. Bem a tempo de até lá ter passado a Festa do Avante! e todos termos de suportar o preço desta irresponsabilidade”, alertou.

Já o presidente da Juventude Popular (JP), Francisco Mota, exigiu hoje que o primeiro-ministro António Costa demita a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, por esta “não ter mais condições para ocupar o lugar que tutela”.

“Que António Costa tenha a mesma coragem para demitir Graça Freitas, que teve para a desautorizar publicamente, porque a diretora-geral não só perdeu a confiança do Governo, como perdeu a confiança dos portugueses”, atirou.

Francisco Mota referiu ainda que esperava a demissão “por vontade própria” de Graça Freitas após a “desautorização pública do primeiro-ministro” para a divulgação das orientações técnicas da DGS para a Festa do Avante!.

“Depois de analisarmos o documento que agora é tornado público, percebemos que a diretora-geral patrocinou, gratuitamente, os amigos do Governo, legitimando o PCP naquilo que não autorizou a milhares de empresários e artistas em Portugal”, destacou ainda Francisco Mota.

A 44.ª edição da Festa do “Avante!”, que se realiza entre 04 e 06 de setembro, só vai ter lugares sentados nos diversos espetáculos, incluindo no maior e principal palco denominado 25 de Abril, segundo o Plano de Contingência hoje divulgado pelo PCP.

A organização da Festa do Avante! "tem a responsabilidade" de aplicar várias medidas para reduzir o risco de infeção e para a saúde pública por propagação da doença covid-19 durante o evento, afirma o parecer da DGS hoje divulgado.

No seu parecer técnico sobre a realização da Festa do Avante! deste ano, a DGS refere que a tipologia do evento "acarreta diferentes riscos" e a organização "tem a responsabilidade de aplicar medidas de redução de risco e de cumprir, promover e garantir o cumprimento da legislação vigente aplicável, bem como das normas, orientações e recomendações da DGS, durante todo o período de duração do evento, atendendo ao risco existente de infeção por Sars-Cov-2 e ao risco para a saúde pública por propagação da doença covid-19".

A pandemia de covid-19 já provocou pelo menos 847.071 mortos e infetou mais de 25,2 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 1.822 pessoas das 58.012 confirmadas como infetadas, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

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