“No momento em que se está a discutir o orçamento suplementar, há três prioridades para o Bloco de Esquerda e a primeira é garantir que os apoios às empresas, com ‘lay-off’ ou sem ‘lay-off’, devem garantir salários a 100%”, defendeu Catarina Martins.

A líder bloquista falava aos jornalistas no salão dos Bombeiros Voluntários da Moita, no distrito de Setúbal, onde se reuniu com comissões de trabalhadores e representantes sindicais do Parque Industrial da AutoEuropa, os quais “têm sentido o crescimento do desemprego”.

“Só nas empresas que estiveram aqui representadas hoje temos notícia de mais de mil trabalhadores que perderam o emprego de um dia para o outro. Há empresas que um dia antes de acederem ao ‘lay-off’ tinham despedido centenas de trabalhadores e isto tem que terminar”, frisou.

Na visão de Catarina Martins, não só os salários têm que passar a ser pagos na totalidade, porque os trabalhadores não podem estar até ao final do ano “com o corte de um terço dos seus salários”, como também é preciso garantir que as empresas que têm apoios do Estado “mantêm todos os postos de trabalho, incluindo os precários”.

“Para que pare esta sangria de trabalhadores precários sem nenhum direito, a ficarem sem emprego ao mesmo tempo em que as empresas estão a ter apoios do Estado, é preciso incluir a obrigação de prorrogação dos contratos precários nos apoios às empresas. O Estado não pode fazer de conta que estes trabalhadores não existem quando está a negociar o apoio às empresas”, sublinhou.

Devido ao "número de despedimentos no país", a líder bloquista apontou ainda que “é preciso apoiar rapidamente as pessoas que perderam o acesso ao emprego sem terem acesso ao subsídio de desemprego”, cortando para metade os prazos de garantia de acesso a este apoio.

Além disso, Catarina Martins advertiu que os surtos de covid-19 que têm acontecido na região de Lisboa e Vale do Tejo “apareceram ligados a setores da economia que recorrem a trabalhadores temporários, que são transportados sem condições e que habitam sem condições”.

“Não basta dizermos às pessoas para ficarem em casa ou para terem cuidado, é preciso garantir condições estruturais para a proteção de todos os cidadãos. Quando vemos surtos que estão localizados em determinadas áreas da economia que recorrem ao trabalho temporário, que habitam em condições que não garantem a salubridade e são transportados também sem condições de segurança, sabemos que é preciso agir rapidamente sobre as empresas e sobre a sua responsabilidade com os trabalhadores”, frisou.

O BE não concorda com o modelo de ‘lay-off’ generalizado e defende um mecanismo que tenha em conta a dimensão e capacidade financeira de cada empresa, mas já expressou todas as preocupações numa reunião com o Governo e aguarda o “desenho da medida” para o orçamento suplementar, disse.

“Todas as propostas que temos feito enviámos diretamente ao Governo, porque muitas vezes os prazos de implementação devem ser mais rápidos do que o prazo longo que o debate parlamentar às vezes permite”, considerou.

Portugal contabiliza pelo menos 1.383 mortos associados à covid-19 em 31.946 casos confirmados de infeção, segundo o boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS) divulgado na quinta-feira.

Relativamente ao dia anterior, há mais 14 mortos (+1%) e mais 350 casos de infeção (+1,1%).

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