Na Assembleia Municipal, a deputada Susana Constante Pereira, do grupo municipal do Bloco de Esquerda (BE) sublinhou que, além do "momento difícil e dramático" que algumas pessoas estão a viver com a saída do bairro, existe agora um problema de "pulverização dos consumos" e do tráfego de droga.

Por exemplo, na zona da Sé, detalhou a deputada, há relatos de consumos a céu aberto a acontecer nas ruas da Sé.

Susana Constante Pereira salientou que o trabalho das instituições que apoiam estas comunidades está mais dificultado, considerando que a situação provocada pelo desmantelamento do bairro do Aleixo tem contornos ainda mais complexos do que os encontrados no bairro São João de Deus.

A bloquista questionou também o executivo sobre a falta de recursos financeiros do Fundo Imobiliário para assegurar a totalidade das reabilitações e ou construções de que depende a entrega dos terrenos do Aleixo.

Sobre a denúncia, o presidente da câmara do Porto, o independente Rui Moreira, disse não estar convencido que os traficantes "possam ajudar no trabalho de inserção social", sublinhando que a retirada dos moradores e o desmantelamento não foi tomada por razões de tráfico.

"Se eu estraguei o trabalho de alguns, olhe, azar!", disse, frisando que este é um problema que a autarquia não pode resolver.

Quanto ao Fundo Imobiliário, o independente garantiu estar a construir as casas necessárias com que se comprometeu, contudo, se não cumprir, referiu Moreira, "a autarquia tem os terrenos".

O autarca lembrou ainda que as três torres do bairro do Aleixo que ainda não foram demolidas não vão ser implodidas, mas "desmontadas", por razões ambientais, de segurança e de custos.

"É uma opção política. Não quero aquele espetáculo", reiterou.

Já o deputado do PSD Alberto Araújo Lima saudou o presidente da autarquia pelo "final do projeto do bairro do Aleixo", reconhecendo o esforço financeiro que o município tinha que fazer para manter aquele bairro "com alguma dignidade".

Em resposta enviada hoje à Lusa, a Câmara do Porto reiterou que, conforme o previsto, as torres serão entregues esta semana ao Fundo, que se responsabiliza pela demolição e que como, tal como comunicou ao município, "iniciará o processo quase imediatamente".

A autarquia sublinhou ainda que o "realojamento dos moradores do Bairro do Aleixo está completo, tendo havido acordo com todos eles para a transferência".

Em 29 de abril, o município esclareceu, contudo, que o Fundo Imobiliário criado para demolir o bairro do Aleixo, no Porto, só pode apresentar projeto para aqueles terrenos quando entregar à Câmara "toda a habitação" que se comprometeu a construir noutros locais.

"Sem estar cumprida a entrega de toda a habitação prevista no contrato, não pode a sociedade gestora submeter à Câmara, para aprovação, novo projeto para os terrenos propriedade do Fundo", disse o município numa resposta escrita enviada à Lusa, a propósito dos preparativos para a demolição do bairro onde restam três das cinco torres iniciais.

A edificação de habitação social em várias zonas da cidade foi um dos compromissos assumido pelo Fundo Imobiliário criado em 2010 como contrapartida pela possibilidade de urbanizar estes terrenos.

O bairro do Aleixo era constituído por cinco torres, das quais restam apenas três, depois de a torre 5 ter sido demolida em 2011 e a torre 4 em 2013, no último mandato do social-democrata Rui Rio e no âmbito do Fundo Imobiliário que ficará com os terrenos para construção.

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