Anunciada já hoje, Andersson apresentará oficialmente a sua renúncia na quinta-feira, explicou em conferência de imprensa.

Com apenas alguns votos por contar, Andersson, a primeira mulher primeira-ministra da Suécia, disse que os resultados já anunciavam que o bloco de direita — composto por quatro forças políticas distintas — ganhou.

"No Parlamento, eles têm uma vantagem de um ou dois mandatos. É uma maioria curta, mas é uma maioria", admitiu, segundo a Reuters.

"Sendo assim, amanhã [quinta-feira] pedirei a demissão das minhas funções de primeira-ministra e, depois disso, a responsabilidade vai recair no presidente do Parlamento", acrescentou.

Segundo resultados quase definitivos, com mais de 99% dos votos apurados, o bloco da direita e da extrema-direita, liderado pelo conservador Ulf Kristersson, terá conquistado 176 assentos, frente aos 173 obtidos pelo bloco de esquerda liderado por Magdalena Andersson, social-democrata.

O país nórdico, que nos últimos anos enfrentou várias crises políticas, viveu novamente um período de incerteza para as tentativas de formação de governo. No domingo, as autoridades eleitorais informaram que o resultado final seria divulgado apenas esta quarta-feira porque os números estavam muito próximos.

O grande vencedor até à data é o partido nacionalista e anti-imigração Democratas da Suécia (SD), liderado por Jimmie Åkesson. As contagens mais recentes apontavam para um resultado provisório de 20,6% dos votos para o SD, estabeleceu um novo recorde para o partido, que não se tornou não apenas o maior partido de direita, mas também o segundo maior partido da Suécia.

O partido de Andersson, apesar de obter a maior votação nas eleições — 30,4%, uma subida face aos 28,3% de 2018 —, sai derrotado, já que os seus parceiros à esquerda foram incapazes de conseguir construir uma maioria.

Embora as sondagens à boca de urna e os primeiros resultados preliminares tenham apontado uma vitória apertada da esquerda, o bloco de direita passou a liderar a disputa com o avanço do apuramento dos votos no domingo.

Ulf Kristersson, o candidato da direita ao cargo de primeiro-ministro, já disse estar "disposto a formar um governo novo e forte".

Os votos dos suecos a viver no estrangeiro ainda não foram contados, mas os analistas políticos consideram pouco provável que modifiquem o resultado.

As eleições representam um ponto de inflexão porque a direita tradicional sueca nunca tinha cogitado governar com o apoio, direto ou indireto, da extrema-direita. O SD, partido considerado marginal durante muito tempo, encontra-se assim numa posição de força.

Os elevados índices de imigração e a violência dos gangues nos subúrbios das cidades suecas alimentaram o discurso do partido nos últimos anos. Estes temas, assim como o aumento dos preços da energia, dominaram a campanha.

"Diz muito sobre quanto chegamos longe, do pequeno partido do qual todos riam... hoje somos o segundo maior partido da Suécia", disse Åkesson.

"A nossa ambição é estar no governo", declarou, sendo pouco provável que o partido se conforme apenas com um papel de apoio à nova maioria no Parlamento.

O SD entrou no Parlamento pela primeira vez em 2010, com apenas 5,7% dos votos. E desde então não parou de crescer, superando 40% em alguns municípios, em particular no sul do país.

Antes mesmo da divulgação dos resultados oficiais, as primeiras negociações começaram no campo da direita, com uma visita de Jimmie Åkesson à sede do Partido Moderado esta segunda-feira em Estocolmo.

"Um governo de direita, no entanto, terá de enfrentar tensões internas muito fortes", opina Ulf Bjereld, professor de Ciências Políticas da Universidade de Gotemburgo. "O SD tem as suas raízes no neonazismo. Do outro lado, os liberais representam o completo oposto", afirma.

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