Pelo menos 1.733 ativistas foram mortos em todo o mundo entre 2012 e 2021, o que representa, em média, um homicídio a cada dois dias, com o Brasil a registar o número mais elevado, indicou o relatório divulgado na quarta-feira.

Cerca de 200 ativistas foram mortos em todo o mundo só no ano passado, sendo que mais de dois terços dos assassínios ocorreram na América Latina.

O México registou 54 assassínios de ativistas, mais 24 do que em 2020, no terceiro ano consecutivo em que o número de mortos aumentou.

Colômbia (33), Brasil e Nicarágua também registaram mais de dez ativistas mortos.

Já este ano, em junho, o jornalista britânico do The Guardian, Dom Phillips, de 57 anos, e o ativista indígena brasileiro Bruno Pereira, de 41, foram alegadamente assassinados na região remota ocidental da floresta amazónica do Brasil.

“Há uma pressão crescente sobre os recursos naturais em todo o mundo e essa batalha está a desenrolar-se particularmente na Amazónia brasileira”, disse uma investigadora da Global Witness.

Segundo a televisão britânica BBC, Shruti Suresh sublinhou que 85% dos assassínios de ativistas no Brasil ocorreram na Amazónia.

“Trata-se de desigualdade de terras, em que os defensores estão a lutar pelas suas terras e nesta crescente corrida para obter mais terras para adquirir e explorar recursos, as vítimas são as comunidades indígenas, as comunidades locais, cujas vozes estão a ser suprimidas”, alertou.

“A maioria dos crimes acontece em lugares distantes do poder e são infligidos àqueles com menos poder”, sublinhou o relatório.

A Global Witness reconheceu que os dados “provavelmente serão subestimados, uma vez que muitos assassínios não são relatados, principalmente em áreas rurais e em determinados países”.

Os conflitos relacionados com a disputas de terra e a exploração de recursos mineiros causaram 27 mortos em todo o mundo, o maior número para qualquer setor. Quinze dos assassínios ocorreram no México.

A Global Witness pediu aos governos que apliquem leis que protejam os ativistas e exijam a aprovação das comunidades indígenas, além de exigir que as empresas sejam responsáveis por todas as suas operações mundiais e tenham uma política de tolerância zero para ataques contra os defensores da terra.

“Ativistas e comunidades desempenham um papel crucial como primeira linha de defesa contra o colapso ecológico, além de serem pioneiros na campanha para o evitar”, disse o diretor executivo da Global Witness, Mike Davis, no relatório.

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