Ricardo Ismael, sociólogo e professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), disse acreditar que os eleitores querem uma alternativa, mas estão muito mais desconfiado do que no passado porque aumentou o descrédito em relação aos políticos do estado, seguidamente envolvidos em escândalos de corrupção, incluindo candidatos confirmados nas municipais.

“Os candidatos – que serão muito numerosos nesta eleição -, terão de fazer um esforço muito maior de convencimento porque está todo mundo com o pé atrás, os eleitores estão desconfiados”, frisou o professor da PUC-RJ.

“Será um processo eleitoral bastante competitivo que só vai se decidir na reta final da primeira volta e, provavelmente, muitas pessoas podem desistir de votar, seja pela pandemia, seja pela desconfiança com relação aos políticos do Rio de Janeiro. É um processo aberto”, acrescentou Ismael.

Uma sondagem feito pelo Atlas Político, publicada pelo jornal Valor Económico na semana passada, indicou que o ex-prefeito do Rio de Janeiro e candidato novamente ao cargo Eduardo Paes está na liderança com 19,7% das intenções de voto, seguido do atual prefeito Marcelo Crivella (11,1%), pela ex-governadora ‘fluminense’ Benedita da Silva (9,6%), a deputada estadual Martha Rocha (6%).

Além dos favoritos, a eleição municipal da ‘cidade maravilhosa’ tem outros onze candidatos na disputa que tem a primeira marcada para ocorrer em 15 de novembro e a segunda volta no dia 29 do mesmo mês. Nesta sondagem, o número de eleitores que pretendem anular o voto — que é obrigatório no Brasil — supera a intenção de voto de todos os candidatos (22,7%).

O líder desta e de outras sondagens, Eduardo Paes, foi recentemente constituído arguido num processo sobre esquemas de corrupção ivestigados pela operação Lava Jato, que apura crimes na Petrobras e outras instituições públicas do país, e, embora esteja melhor colocado que os rivais corre o risco de perder força se sua situação complicar-se na justiça.

O vice-líder e atual prefeito, Marcelo Crivella, também é investigado por alegados esquemas de corrupção e, além disso, sofreu ao longo da gestão um grande desgaste porque se envolveu em muitas polémicas que já se tornaram folclóricas como uma tentativa de censura promovida promovida na última Bienal do Livro do Rio de Janeiro, quando mandou apreender uma revista de banda desenhada que continha personagens homossexuais.

Dentro deste cenário, três mulheres, Benedita da Silva, Martha Rocha e Renata Souza, poderão surpreender e conquistar o eleitorado ‘carioca’ ainda indeciso.

“O Rio de Janeiro é um grande laboratório de políticos emergentes. De tempos em tempos novos atores políticos saem pelo Rio de Janeiro e conseguem uma vitoria imprevisível tanto no âmbito executivo como legislativo”, lembrou Creomar de Souza, analista de risco político da consultoria Dharma Political Risk and Strategy.

“Pegando como pano de fundo o próprio processo que envolveu a eleição do Presidente [do Brasil, Jair] Bolsonaro, que teve como variante importantíssima o desgaste que os outros candidatos sofreram, obervamos que a rejeição, a desilusão e a mágoa que um número considerável de eleitores apresentou em relação ao Partido dos Trabalhadores e outras lideranças foi fundamental para o processo eleitoral brasileiro, e acho que isto será fundamental novamente agora no Rio de Janeiro”, frisou Souza.

Já Ismael explicou que como o processo eleitoral é dinâmico, a população do Rio de janeiro ainda está a conhecer os candidatos.

“De qualquer maneira, vai haver um pragmatismo. Se os candidatos não são os ideais a população sabe que será preciso mesmo assim escolher algum porque é necessário que alguém governo o Rio de Janeiro a partir de primeiro de janeiro de 2021″, concluiu.

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