“Eu vou dizer qual é o nosso maior erro, na minha visão: a questão de comunicação desde o ano passado. De campanhas de esclarecimento à população. Acho que esse foi o grande erro, uma campanha de esclarecimento firme, como tivemos no passado, de outras vacinas, mas uma campanha de esclarecimento da população sobre a realidade da doença, orientações o tempo todo para a população”, disse, num excerto da entrevista divulgado.

“Eu acho que isso teria sido um trabalho eficiente do nosso Governo”, disse Mourão, que nas últimas semanas se tem queixado publicamente de ter sido afastado das reuniões ministeriais do Governo pelo Presidente, Jair Bolsonaro.

A totalidade da entrevista será transmitida pelo GloboNews ao final da noite de terça-feira (madrugada de quarta-feira em Lisboa).

A gestão do Governo de Bolsonaro na pandemia é alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado brasileiro, que investiga alegadas falhas e omissões por parte do executivo, como a recusa e demora na aquisição de vacinas contra a covid-19, a defesa de medicamentos sem eficácia contra a doença ou a crise de oxigénio no Amazonas, que levou à morte de dezenas de pacientes por asfixia.

Contudo, apesar de Mourão reconhecer falhas por parte do Governo, essa tese não é apoiada pelo chefe de Estado e ministros, que defendem que o executivo deu verbas suficientes a estados e municípios para combater a covid-19, responsabilizando assim as autoridades estaduais e municipais pelos mais de 500 mil mortos e 18 milhões de infeções no país.

Em abril, um estudo publicado na revista Science e assinado por 10 cientistas do Brasil e dos Estados Unidos da América indicou que o Governo Federal do Brasil é o maior responsável pelo fracasso ao combate à pandemia de covid-19.

“A resposta [do Governo] federal tem sido uma combinação perigosa de inação e irregularidades, incluindo a promoção da cloroquina como tratamento, apesar da falta de evidências [científicas de sua eficiência]”, aponta o estudo.

“Sem uma estratégia nacional coordenada, as respostas locais variaram em forma, intensidade, duração e horários de início e fim, até certo ponto associadas a alinhamentos políticos”, acrescenta.

A nação sul-americana, com 212 milhões de habitantes, é a segunda com mais mortos em todo o mundo, depois dos Estados Unidos, e a terceira com mais infeções, antecedida pelos norte-americanos e pela Índia.

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