Em tempos um matadouro, uma praça de touros e até espaço para a conhecida feira da ladra, o Campo dos Mártires da Pátria foi o local onde foram enforcados 11 companheiros do general português Gomes Freire, em 1817, daí resultando o seu nome.

No final do ano passado, em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa, a Junta de Freguesia de Arroios decidiu reabilitar os caminhos pedonais interiores da parte sul do campo, que estavam pavimentados em alcatrão, com desvantagens para a mobilidade de quem ali passa.

“No fundo, a área pedonal estava toda muito estragada e as pessoas não tinham mobilidade. Era uma área pedonal feita em alcatrão e a nível do ambiente era prejudicial, porque a água das chuvas não entrava na terra. Estava toda com buracos”, disse à Lusa a presidente da Junta de Freguesia de Arroios, Margarida Martins

A requalificação envolveu a inserção de calçada portuguesa, uma marca da cidade e que, segundo a autarca, “atrai muitos visitantes que se acompanham de guias turísticos” ao local, assim conhecendo a sua importância.

Todo o Jardim Braancamp Freire (no centro do campo) foi arranjado, tendo sido retirada parte significativa do gradeamento, “para que as pessoas se sentissem bem”. Os lagos e o mobiliário urbano também não foram esquecidos.

“Um dos objetivos de qualquer intervenção nos espaços públicos é a não discriminação de pessoas com dificuldade na sua mobilidade”, disse o responsável da intervenção de requalificação, Fernando Salgueiro, explicando que é crucial eliminar dos espaços públicos qualquer barreira arquitetónica que possa influenciar a normal circulação das pessoas.

Questionada relativamente às desvantagens que a calçada portuguesa poderia causar à mobilidade, tendo em conta a discussão levantada nos últimos anos – por ser escorregadia e pelo espaçamento entre as pedras -, Margarida Martins sublinhou que houve o cuidado de introduzir pavimento seguro.

O padrão xadrez de que se reveste o pavimento tem calcário, da calçada portuguesa, e pedra preta de origem granítica, o que lhe confere uma rugosidade que dificulta o escorregamento.

Para dar “uma nova vida ao piso”, referiu Margarida Martins, há animais desenhados com a própria pedra da calçada, uma vez que este espaço é frequentado por animais - patos , galos e galinhas que estão soltos pelo espaço verde.

É também possível ver desenhados no chão dois corações que no seu interior têm um trevo de quatro folhas, precisamente no local onde foi dado início à requalificação. A ideia partiu da autarca - os corações representam o amor que é nutrido pelas pessoas que frequentam o Campo dos Mártires da Pátria.

Segundo o responsável da intervenção, a preservação das diversas espécies arbóreas classificadas do Jardim Braancamp Freire foi outra das preocupações.

Esta requalificação do Campo dos Mártires da Pátria custou cerca de 120 mil euros e a Junta de Freguesia de Arroios quer intervir em mais espaços.

Sem data precisa de intervenção, Margarida Martins pretende também requalificar a parte norte do Mártires da Pátria, onde se localiza o campo de basquete.

Já aprovado pela Câmara Municipal de Lisboa está o quiosque que a Junta de Freguesia de Arroios pretende introduzir no jardim, no prazo de um ano, como forma de atrair mais visitantes.

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