“Assinei a petição que pedia a expansão para Loures e voltarei a assinar, se for necessário. Sempre entendi que seria importante para aliviar o tráfego rodoviário em Odivelas, nomeadamente daquelas pessoas oriundas da zona Oeste”, disse à agência Lusa o autarca socialista.

O presidente da Câmara Municipal de Odivelas comentava desta forma a suspensão, pelo parlamento, do projeto de construção da linha circular do Metro de Lisboa e o reconhecimento de que deve ser dada prioridade à extensão da rede metropolitana até Loures.

“Relativamente à linha circular aquilo que posso dizer é que esta não traria consequências para os munícipes de Odivelas, tal como foi garantido pelo senhor ministro do Ambiente. O que destacamos é a expansão até Loures”, apontou.

O projeto da linha circular foi contestado no concelho de Odivelas por algumas associações de utentes da linha Amarela, que receavam que existisse uma interrupção da linha na estação do Campo Grande (Lisboa), o que obrigaria a um transbordo para quem quisesse continuar o trajeto até ao Rato.

Essa alteração estava prevista no plano inicial de desenvolvimento operacional da rede do Metropolitano de Lisboa, apresentado em maio de 2017.

Na sequência desta contestação, o ministro do Ambiente e da Ação Climática, Matos Fernandes, assegurou, após uma reunião com a Câmara de Odivelas, que os utentes daquele município não seriam afetados pela futura linha circular, uma vez que ambas seriam partilhadas.

A suspensão da linha circular do Metro de Lisboa foi aprovada na quarta-feira de madrugada no parlamento, durante a votação na especialidade do Orçamento do Estado para 2020 (OE2020), na sequência de propostas do PCP e do PAN.

A proposta do PCP, que defende que seja dada prioridade à extensão da rede metropolitana até Loures, bem como para Alcântara e zona ocidental de Lisboa, foi aprovada com votos a favor do PSD, BE, PCP, CDS, PAN e Chega, a abstenção da Iniciativa Liberal e o voto contra do PS.

Já a do PAN obteve os votos favoráveis do PSD, BE, PCP e Chega, os votos contra do PS e da Iniciativa Liberal e a abstenção do CDS.

O PAN propõe que o Governo realize um estudo técnico e de viabilidade económica que permita uma avaliação comparativa entre a extensão até Alcântara e a linha circular.

O executivo terá ainda de fazer, segundo a proposta, “os estudos técnicos e económicos necessários com vista à sua expansão prioritária para o concelho de Loures” e “uma avaliação global custo-benefício, abrangendo as várias soluções alternativas para a extensão da rede para a zona ocidental de Lisboa”.

O relatório que acompanha a proposta de Orçamento do Estado, conhecida em dezembro, referia que as obras de expansão do Metropolitano de Lisboa, orçadas num total de 210 milhões de euros, iriam arrancar no segundo semestre deste ano, quando inicialmente estavam previstas para o primeiro semestre.

O projeto prevê a criação de um anel envolvente da zona central da cidade, com a abertura de duas novas estações: Estrela e Santos.

O objetivo é ligar o Rato ao Cais do Sodré, obtendo-se assim uma linha circular a partir do Campo Grande com as linhas Verde e Amarela, passando as restantes linhas a funcionar como radiais - linha Amarela de Odivelas a Telheiras, linha Azul (Reboleira - Santa Apolónia) e linha Vermelha (S. Sebastião - Aeroporto).

Matos Fernandes considerou já "irresponsável" a suspensão do projeto, alertando para a perda de 83 milhões de euros de fundos comunitários.

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