Na reunião camarária pública, a maioria do independente Rui Moreira e o PS votaram a favor da proposta em que se explica que, “durante o período de exploração” do equipamento, “e dando cumprimento aos objetivos definidos pelo município, a GO Porto, EM [empresa municipal] utilizará os espaços indicados no programa preliminar para desenvolver as componentes cultural e de coesão social associadas ao projeto, ficando assim, em contrato, obrigada ao pagamento”.

O presidente da autarquia, Rui Moreira, explicou que “a Câmara não vai pagar por uma coisa que não vai usar”, mas pelos “espaços de que necessita”.

O autarca respondia às críticas feitas pelo vereador do PSD, Álvaro Almeida, que classificou o pagamento como sendo uma “forma de financiamento, enganadora, do projeto do matadouro”.

“É uma forma que não é transparente”, afirmou o social-democrata.

Álvaro Almeida alertou ainda que “nenhum” dos pagamentos propostos pela autarquia “é para este mandato”.

“É tudo para o futuro. Quem vier que pague as contas. É tal e qual o modelo das SCUT. Os projetos têm custos e quem não se preocupa com as contas está a contribuir para no futuro haver mais troikas e bancarrotas”, afirmou.

Rui Moreira questionou se, “para não voltar a troika”, seria preferível “fazer o que Rui Rio (seu antecessor na presidência da autarquia) queria fazer”, ou seja, colocar “o matadouro à venda para fazer uma China Town com Paulo Barros Vale [empresário]”.

“O que não me parece transparência foi terem feito contrato promessa de compra e venda por cinco milhões de euros que nunca foi concretizado e eu não sei onde ficou o sinal”, disse o autarca, ainda referindo-se aos mandatos do social-democrata Rui Rio.

Também Ilda Figueiredo, da CDU, considerou o “valor excessivo”.

O socialista Manuel Pizarro lembrou que, no anterior mandato de Moreira, “quando foi aprovada a decisão de promover aquele procedimento concursal [para o matadouro], estava implícito que esta seria a forma de participar na reabilitação daquele espaço”.

“A Câmara vai pagar por alguns milhares de metros quadrados de utilização constante e pela construção de um equipamento âncora na zona mais deprimida da cidade. Parece-me um custo razoável”, defendeu.

No total, estão em causa mais de 22,7 milhões de euros, a pagar até 2051, que a Câmara aprovou para submeter à Assembleia Municipal a “autorização prévia da assunção dos compromissos plurianuais para o período de 30 anos, com o valor anual de 756.960,00 euros, ao qual acresce IVA à taxa legal em vigor”, refere a proposta.

O concurso de concessão contou com três concorrentes e indicava “a reconversão integral do complexo, mantendo a sua memória histórica e natureza arquitetónica, em espaços empresariais diversificados e polivalentes”.

A 05 de junho, o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, apontou para “abril de 2019” o início da obra de requalificação do Matadouro, que deve ficar concluída no prazo de “dois anos”, em 2021, num “investimento total de 40 milhões de euros”.

De acordo com a informação divulgada pela autarquia também em junho, o projeto escolhido, com investimento "inteiramente privado", prevê “áreas para a instalação de empresas”, mas também para museus (o Museu da Indústria ficará lá sediado), “reservas de arte, auditórios, espaços expositivos e equipamentos sociais”.

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