A reação surge depois do International History Students and Historians Group (IHSHG) ter manifestado, na segunda-feira, o seu desagrado para com a decisão de demolir as galerias superiores do Mercado do Bolhão, considerando “inconcebível” que a Câmara do Porto tenha permitido “tal negligência”.

A alteração do método construtivo do projeto de requalificação do Mercado do Bolhão foi aprovada em 27 de março, pela Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), que em resposta à Lusa, no dia 18 de maio, refere que o aditamento em causa propõe “o desmonte de alguns elementos metálicos (colunas, varandas e consolas da cobertura) e a demolição de três, das quatro, lajes existentes de betão das galerias superiores do mercado”.

Para a tomada de decisão, constituíram fatores relevantes “o elevado estado de degradação dos elementos metálicos (que serão reparados em oficina e recolocados nos sítios originais) e das lajes de betão”.

Hoje, em comunicado, a autarquia rejeita que tal método implique “a demolição de toda a galeria e muito menos significa qualquer alteração ao resultado final”, salientando que “apenas, por razões óbvias de segurança, se procede à renovação de materiais que, tendo 100 anos e estando sob grande esforço, não apresentam condições para permanecer por mais anos, suportando o edifício”.

“É, por isso, falso que exista qualquer alteração ao aspeto, ao programa ou à forma como os portuenses conhecem o edifício. A nova solução construtiva respeita toda a história do mercado e recebeu o aval da Direção Regional de Cultura do Norte e da Direção Geral do Património Cultural”, afirma o município.

A autarquia acrescenta que a necessidade “urgente” de obras estruturais, nunca realizadas, está identificada desde os anos 80, tendo o executivo de Rui Moreira contratado “o premiado arquiteto Nuno Valentim, conhecido pela qualidade das suas obras de reabilitação, restauro e conservação” para proceder com as mesmas.

Durante a obra de restauro, verificou-se, contudo, que o betão com mais de 100 anos em algumas zonas das galerias superiores se encontrava altamente degradado e não era recuperável, pelo que o método construtivo foi alterado, conforme publicamente anunciado e apresentado, refere o comunicado.

Na nota, o município salienta que o atual executivo de Rui Moreira “preservou os vendedores tradicionais, investiu num projeto sólido, fazendo-se valer dos melhores em reabilitação”, recusando “a transformação do mercado num shopping, como esteve projetado no passado”, e “intervenções brutais como as que chegaram a estar projetadas pelos que agora querem lançar confusão e ‘fake news’ sobre a atual obra e que implicavam a construção de vários pisos subterrâneos para estacionamento de centenas de viaturas”.

E acrescenta: “está a construir a obra que todos desejavam e ninguém fazia”.

Para a Câmara do Porto, o grupo de historiadores “não desconhecem apenas o que está em causa”, desconhecem até a sua localização e a geografia da cidade, já que o Mercado do Bolhão não fica na freguesia de Paranhos, mas sim na União de Freguesias do Centro Histórico”.

“Os portuenses podem ficar descansados quanto a este projeto e, como muitas outras vezes, não acreditam na mentira nem se deixam impressionar por notícias falsas que, de uma vez por todas, a sociedade tem de encontrar formas de erradicar”, refere a autarquia, que considera as notícias que tem vindo a público “falsas” e que “correspondem a uma leitura enviesada de uma informação”.

Na semana passada, o arquiteto Joaquim Massena, autor de um projeto de requalificação do Bolhão, criticou o aval dado à demolição das galerias, defendendo que a “triste história” daquele mercado só é comparável à demolição do Palácio de Cristal.

A necessidade de alterar o método construtivo no projeto de requalificação do mercado foi comunicada pelo presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, em dezembro de 2019.

À data, o autarca explicou, em conferência de imprensa, que as obras cujo término estava previsto para maio de 2020 iam ser prolongadas por mais um ano, devendo-se este atraso a “dupla circunstância – solo diferente e ainda mais instalável e galerias mais degradadas”.

“Caso as galerias se mantivessem intactas durante toda a obra, como estava inicialmente previsto, a abordagem que agora se propõe seria impossível. E a construção cave ficaria comprometida, mais morosa e menos segura. Seria mais cara e demoraria mais tempo, atirando a conclusão do restauro para dezembro de 2021″, acrescentou então Moreira.

Newsletter

As notí­cias não escolhem hora, mas o seu tempo é precioso. O SAPO 24 leva ao seu email a informação que realmente importa comentada pelos nossos cronistas.

Notificações

Porque as noticias não escolhem hora e o seu tempo é precioso.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.