A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público de São Paulo, que acusa o ex-governador do estado de receber pelo menos 7,8 milhões de reais (cerca de 1,6 milhões de euros) não declarados por parte da construtora Odebrecht, implicada no escândalo de corrupção na petrolífera estatal Petrobras.

Ainda assim, a acusação, assinada pelo procurador Ricardo Manuel Castro, não tem efeito sobre a candidatura presidencial ou sobre os seus atos de campanha para as eleições de outubro.

De acordo com as sondagens, Alckmin obteria entre 6% e 9% das intenções de voto, longe dos 20% atribuídos a Jair Bolsonaro, associado à extrema-direita, num cenário que agora ficou sem o ex-Presidente Lula da Silva, preso por corrupção e cuja candidatura foi rejeitada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A acusação contra Alckmin apoia-se em declarações de executivos da Odebrecht à Justiça, que terão revelado uma rede de subornos e comissões ilegais a centenas de políticos brasileiros de vários movimentos e que se terá estendido também por outros países da América Latina.

De acordo com a acusação, a Odebrecht pretendia "manter um projeto de concessões e privatizações do estado de São Paulo", bem como "encobrir diversas fraudes no direito dos contratos, como formação de cartel e sobrefaturação de obras".

O Ministério Público pede a suspensão dos direitos políticos de Alckmin, com a perda da eventual função pública que ocupe, caso o candidato do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) seja condenado.

Foi também solicitado o embargo de quase 40 milhões de reais (cerca de 8,35 milhões de euros) como garantia de compensação para os cofres públicos.

As investigações contra Alckmin começaram quando este ainda era governador de São Paulo e foram assumidas, inicialmente, pelo Superior Tribunal de Justiça.

Depois de Alckmin abandonar o governo de São Paulo para concorrer às presidenciais, o caso foi atribuído ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, tendo o Ministério Público aberto uma investigação para encontrar possíveis irregularidades administrativas.

Alckmin e membros da sua campanha entendem que "não há facto novo" neste processo e "apenas uma conclusão equivocada e um comportamento inusual", de acordo com uma nota publicada.

"Inexplicavelmente, [o promotor] sugere algo que não existe e que jamais alguém tenha sequer cogitado, nem mesmo os ditos delatores. Nunca houve qualquer relação com atos do governo", afirmaram, no mesmo comunicado.

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