“Exige um trabalho de preparação no mês de setembro muito grande em relação aquilo que são as perguntas dos deputados, esse é um primeiro conselho que todos os comissários recebem de outros comissários, que é essa preparação muito grande para a audição no parlamento”, disse.

Carlos Moedas, que falava aos jornalistas à margem da sua intervenção sobre “A ciência muda o nosso futuro’”, na Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide, no distrito de Portalegre, sublinhou que o papel de comissário europeu é por vezes “muito mais difícil” do que desempenhar a função de ministro.

“Eu acho que as pessoas não têm noção que ser comissário é muito mais difícil, muitas vezes, do que ser ministro, porque quando se é escolhido para se ser ministro o primeiro-ministro escolhe e as pessoas são ministros ou ministras e quando estamos como comissários europeus é completamente diferente, vamos para o parlamento e temos que responder durante três horas a questões no parlamento, a todos os deputados, e tudo isso é completamente diferente”, afirmou.

Confessando que vai sentir “saudades” de Bruxelas, Carlos Moedas rejeitou indicar, quando questionado pelos jornalistas, que tipo de pasta deveria ser atribuída a Elisa Ferreira, sublinhando que a antiga ministra do Ambiente possui um ‘background’ em diversas áreas.

“Isso é uma escolha da presidente da comissão. As pessoas que são comissários são políticos podem fazer diferentes tipos de pastas, obviamente que ajuda se tivermos um ’background’ na área, a doutora Elisa Ferreira tem um ‘background’ em várias áreas, desde a união bancária às partes financeiras e económicas e isso ajudará, mas obviamente ela também poderá ser comissária de outra pasta, isso tudo depende da presidente da Comissão Europeia”, disse.

Carlos Moedas considerou ainda importante ter sido escolhida uma mulher para desempenhar as funções, sem descartar que a escolha foi, acima de tudo, pela competência.

“É importante, eu acho que é importante na política termos cada vez mais mulheres, obviamente que a escolha tem de ser feita pela competência, e aqui foi feita pela competência, e isso é que é importante”, disse.

O comissário europeu manifestou-se ainda “contente” e também “orgulho” em “passar a pasta” a Elisa Ferreira, considerando tratar-se de uma pessoa com “competência” e “experiência” como deputada europeia e em vários domínios.

“Acho que é um privilégio extraordinário ser comissário europeu, é um privilégio poder estar no palco europeu, representar a Europa e Portugal também, é uma grande responsabilidade e, por isso, tenho muito gosto em desejar o melhor para o futuro à nova comissária”, concluiu.

O primeiro-ministro, António Costa, escolheu a ex-ministra Elisa Ferreira para comissária europeia e já o comunicou à nova presidente da comissão, disse à agência Lusa fonte oficial do seu gabinete.

Segundo a mesma fonte, oportunamente, a presidente eleita da Comissão Europeia comunicará a pasta atribuída à futura comissária portuguesa.

Elisa Ferreira foi ministra dos governos chefiados por António Guterres, primeiro do Ambiente, entre 1995 e 1999, e depois do Planeamento, entre 1999 e 2002, e ocupa, desde setembro de 2017, o cargo de vice-governadora do Banco de Portugal.

Elisa Ferreira sucederá a Carlos Moedas, comissário indicado pelo anterior governo PSD/CDS-PP.

Carlos Moedas teve a seu cargo a pasta da Investigação, Ciência e Inovação e foi nomeado em novembro de 2014.

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