Catarina Martins, que falava em Barcelos, à margem de uma visita a uma área atingida pelos incêndios em 2016, disse ainda que os governos português e espanhol “não queriam” que Almaraz entrasse na Cimeira Ibérica, que decorreu entre segunda-feira e hoje, no Douro e em Vila Real.

O assunto, sublinhou, só acabou por entrar na cimeira “por força da contestação” não só de Portugal como também de Espanha, país onde o partido do Governo “está completamente isolado” no apoio à energia nuclear.

“Almaraz entrou na cimeira, mas não entrou como deveria ter estado, que era um debate sério para encerrar Almaraz, uma central nuclear que está obsoleta, muito perto da fronteira com Portugal, num afluente do rio Tejo, pelo que qualquer acidente é um risco enorme para o nosso país”, criticou.

Por isso, acrescentou é “preciso continuar a fazer uma enorme pressão” sobre o Governo espanhol e sobre as instâncias europeias, para segurança das populações.

“É preciso que o Governo português cumpra aquilo que foi uma recomendação aprovada por unanimidade no parlamento em Portugal, que é exigir ao Governo espanhol que Almaraz encerra”, rematou.

O primeiro-ministro, António Costa, explicou que os governos ibéricos não discutiram hoje a questão da central nuclear de Almaraz porque “foi tratada várias vezes no passado” e “ficou bem resolvida”.

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O tema da central espanhola de Almaraz ficou de fora da agenda oficial da 29.º cimeira ibérica, que decorreu entre segunda-feira e hoje, no Douro e em Vila Real.

No entanto, na conferência de imprensa final do encontro, os chefes dos governos português e espanhol foram questionados sobre Almaraz e o prolongamento da vida da central nuclear para lá de 2020.

“Não íamos hoje tratar daquilo que temos tratado várias vezes no passado e que, relativamente às questões que se colocaram, ficaram resolvidas e bem resolvidas. Se se colocarem novas questões no futuro, voltaremos a tratar e tenho a confiança de que certamente voltaremos a resolver bem como resolvemos as questões do passado”, afirmou o primeiro-ministro português.

O líder do governo espanhol, Mariano Rajoy, disse, por sua vez, que efetivamente não se falou sobre o assunto Almaraz porque é “o tema que os governos mais têm falado nos últimos tempos”.

“Eu creio que tudo o que havia para falar, já falamos, e se há algo para falarmos no futuro, faremos certamente o mesmo: falar”, salientou.

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