Em entrevista à rádio Renascença e ao jornal Público, a coordenadora do BE, Catarina Martins, refere que o partido está disponível para dialogar com António Costa (sem “chantagens”), mas que não faz parte das intenções do partido avançar com uma coligação pré-eleitoral com o PS em Lisboa.

Catarina Martins sublinhou ainda que o PS de tem feito “um caminho de afastamento daquilo que tinha sido a legislatura anterior”, sem novos acordos e sem querer negociar “medidas sociais que respondessem de uma forma mais universal e consistente aos trabalhadores que ficaram sem emprego durante a pandemia”, afastando-se na saúde de uma “resposta mais forte para garantir os profissionais e instrumentos necessários”.

Sobre a moção, entregue esta semana, referiu que o que houve do PS e do primeiro-ministro, António Costa, foi algo de: “se a esquerda não aceitar ratificar tudo aquilo que o Governo propõe, então estará a abrir caminho à direita”. Assim, a líder do BE sugere que isso é “uma forma de não discutir a resposta à crise, como se o papel da esquerda fosse apoiar qualquer coisa que o Governo propõe” e que “o debate democrático não pode ser feito dessa forma”.

Mais, a coordenadora bloquista afirmou ainda que o “PS é muito permeável ao poder económico” e teme que, com a chegada da bazuca de fundos comunitários, essa permeabilidade aumente. “Não há abertura do Governo a alterar relações estruturais no país, para que estes investimentos europeus tenham uma repercussão real nas condições de vida das classes trabalhadoras”, elucida.

Catarina Martins sugere igualmente que “do ponto de vista da negociação, o PS vem há bastante tempo a centrar a sua negociação com o PSD” e que “isso é verdade nas alterações sobre a forma como os fundos europeus vêm a ser gastos, nomeações disfarçadas de eleição para as Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR), alterações no Tribunal de Contas, limitação de listas de candidaturas de cidadãos às autárquicas ou o acordo que acabou com os debates quinzenais no Parlamento”. No entanto, assegura que o bloco mantém “disponibilidade para negociar”, mas sem “chantagens”.

Sobre uma possível coligação nas autárquicas com o PS em Lisboa, a coordenadora do bloco reitera que o “acordo BE-PS em Lisboa foi importante e precisou da apresentação de programas diferentes para se poder concretizar” e que “quando uma coisa corre bem, devemos tirar a lição de que se deve mantê-la. Manter autonomia das candidaturas é importante, sem fechar a porta a entendimentos após as eleições”.

No que diz respeito ao Tratado Orçamental justificou que o BE se opôs desde o primeiro momento, sugerindo que se deve "corrigir o enorme erro que é um tratado que diz que os Estados não podem investir quando há uma crise", alegando que "um tratado que nunca serve quando há uma crise e tem de ser suspenso é um tratado que não serve em dia nenhum".

Visando a questão das vacinas, afirmou que "há um silêncio preocupante do Governo, na presidência europeia", recordando "os apelos de António Guterres que tem vindo a dizer que a crise exige a universalização da vacina".

De acordo com Catarina Martins, o BE pretende ainda apresentar uma iniciativa legislativa sobre os pagamentos dos custos do teletrabalho (algo que afirma que o Governo ainda não avançou) e que há “necessidade de os custos não ficarem em cima dos trabalhadores, uma vez que há até empresas que estão a lucrar com o facto de passarem custos para os próprios trabalhadores”.

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