A votação de hoje definirá a estratégia do partido para os próximos dois anos e o primeiro subscritor da moção mais votada apresentará uma lista à Comissão Política Nacional.

As urnas de voto abriram cerca das 23:50, quase uma hora depois do que estava previsto.

No átrio junto à sala do Parque de Exposições de Aveiro onde foram colocadas as dez mesas de voto, ainda as urnas não tinham aberto e já havia uma grande fila, que não dissipou até cerca das 00:30. A partir dessa altura, o acesso à sala das urnas de voto fazia-se praticamente de forma automática, sem esperas.

Antes da meia-noite, o elevado número de pessoas que queriam votar na moção de estratégia global dos três candidatos à liderança, fez com que a fila começasse a serpentear, o que provocou dificuldades de acesso à sala principal, onde está montado o palco do congresso.

Apesar de os jornalistas não terem acesso à sala onde decorre a votação, alguns congressistas destacaram à Lusa a organização com que o processo está a ser feito, bem como a rapidez da votação.

“Todo o processo foi relativamente rápido. Demorámos cerca de 15 minutos na fila, mas depois dentro da sala foi bastante rápido”, conta à Lusa Nuno Sousa, um jovem de 26 anos, poucos momentos depois de votar.

Perante esta estimativa, Carolina Belchior, de 24, faz uma expressão de discórdia: “Ficámos meia hora na fila”, corrige.

Com Nuno estão também Diogo e Fábio, da mesma faixa etária. Os três conversaram com a Lusa enquanto esperavam por Carolina e Diogo Fernandes, que se juntaram a eles poucos minutos depois.

Todos pertencem à Juventude Popular (JP), mas o grupo está dividido em relação ao candidato que apoia. Apenas um dos jovens nortenhos está com o atual líder da estrutura jovem, Francisco Rodrigues dos Santos, sendo que os restantes veem em Filipe Lobo d’Ávila a melhor solução para o futuro do partido.

“Filipe Lobo d’Ávila traz seriedade, coerência no discurso, e não se esconde da oposição”, elogia um dos jovens, enquanto os outros acendam positivamente com a cabeça, e acrescentam que “João Almeida é continuidade e Francisco Rodrigues dos Santos é mudança radical”.

Por isso, nenhum dos dois candidatos mereceu o sentido de voto da maioria do grupo, proveniente de Gondomar e Santa Maria da Feira e a quem congressos partidários não são algo estranho.

Diogo Fernandes, de 23 anos, o único do grupo que está com Francisco Rodrigues dos Santos, foi crítico dos trabalhos do congresso.

Apesar de notar que a reunião magna que arrancou no sábado e termina hoje foi “mais animada do que o congresso de Lamego”, há dois anos, o jovem apontou que houve “demasiada roupa suja a ser lavada”.

Mesmo com divergências quanto à futura liderança, o grupo diz-se unido e garante que se dão “todos bem”.

“A partir de segunda-feira estamos todos unidos, a trabalhar com o novo líder”, salienta Fábio.

Autarca em Lisboa, José Soares discorda com o grupo de jovens. Na sua ótica, o deputado João Almeida, que conhece “há mais de 20 anos”, é o candidato mais bem preparado para liderar o CDS.

Ainda que durante a tarde as reações mais efusivas tenham acompanhado as intervenções de Francisco Rodrigues dos Santos, José Soares está convicto de que João Almeida, a quem reconhece qualidades como “capacidade e dedicação”, tem “hipóteses de ganhar o congresso”.

Já o atual líder da JP, apesar de ser “uma pessoa trabalhadora, válida e capaz, não escolheu o momento certo para apresentar esta candidatura”.

Para potenciar a vitória de João Almeida, o autarca defendeu uma “coligação de união” entre João Almeida e Filipe Lobo d’Ávila.

“O objetivo não é fazer uma caça às bruxas, não é ter os militantes controlados se batem palmas ou não, o partido quer liberdade”, frisou José Soares, que disse ter gastado também cerca de 15 minutos desde o final da fila até ao momento da votação.

Enquanto os delegados votam, a sala do congresso vai ouvindo as intervenções dos militantes e dirigentes centristas, com cerca de metade das cadeiras ocupadas e muita gente de pé.

Depois da desistência de Abel Matos Santos e Carlos Meira, continuam na corrida à sucessão da atual presidente, Assunção Cristas, Francisco Rodrigues dos Santos, João Almeida e Filipe Lobo d’Ávila.

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