Em causa está uma entrevista à RTP na qual Eduardo Cabrita, quando confrontado com as críticas sobre a falta de meios no combate aos incêndios que consumiam Mação e os concelhos vizinhos de Vila de Rei e Sertã, acusou o autarca de agir como "um comentador televisivo" e de não cooperar com os esforços da Proteção Civil.

“O CDS considera que estas afirmações são injustas e são inoportunas. Não faz sentido que um ministro da Administração Interna, que tem a responsabilidade máxima em matéria de emergência e de proteção civil ao nível político, vir fazer este tipo de acusações a um presidente de câmara, que é também ele responsável na mesma cadeia relativa à proteção civil”, condenou o porta-voz do CDS-PP, João Almeida, em declarações à agência Lusa.

Na perspetiva do dirigente centrista, “o ministro da Administração Interna, que está no topo dessa cadeia de responsabilidade, é a última pessoa que deve criar dentro do sistema perturbação”.

“E obviamente que uma acusação destas causa perturbação, não só em relação ao presidente de Câmara visado neste caso, como em relação a qualquer autarca que sente que, de hoje para amanhã, do Ministério da Administração Interna pode, em vez de cooperação, ter este tipo de atuação, que é aliás muito típica deste Governo”, criticou.

O CDS-PP já “o tem denunciado noutras situações”, lembrou João Almeida, segundo o qual “este Governo é muito rápido em matéria de responsabilidades, mas sempre para as atribuir a outrem”.

“O Governo vem sempre pronunciar-se sobre as responsabilidades, mas sempre para as atribuir a alguém que não seja o próprio Governo. Não faz sentido que assim seja”, apontou.

O país, na perspetiva de João Almeida, “quer um Governo para liderar processos e para assumir responsabilidades e não para se desresponsabilizar permanentemente”.

“Nesta matéria e uma vez que estamos ainda com as primeiras ocorrências mais significativas em matéria de incêndios florestais, é bom que o Ministério da Administração Interna tenha uma postura de cooperação para que efetivamente todo o sistema funcione”, sugeriu.

O presidente da Câmara de Mação, Vasco Estrela, já lamentou hoje que o ministro da Administração Interna o tenha "atacado pessoalmente", em vez de "expressar solidariedade a um concelho que teve 95% da área florestal ardida nos últimos dois anos".

Vasco Estrela disse à agência Lusa que recebeu com "surpresa, estupefação e até alguma mágoa" as palavras de Eduardo Cabrita, lamentando que o ministro "conviva mal com opiniões divergentes".

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