“Aquilo a que temos assistido nas últimas semanas não tem nada a ver com visões estratégicas, tem a ver com os senhores membros do governo andarem a fazer política com uma companhia área que enfrenta a maior crise de sempre no setor”, criticou o deputado João Gonçalves Pereira.

O centrista falava durante o período de declarações políticas que decorreu hoje na Assembleia da República, em Lisboa, e acusou o Governo de estar “ativamente a prejudicar o valor da TAP, utilizando-a como arma de arremesso político, e colocando empregos, investimentos e parcerias em causa”.

Na ótica do CDS, “num período de crise para todas as companhias aéreas, o Governo deve fazer tudo para não prejudicar ainda mais o valor da empresa, independentemente das preferências ideológicas ou pessoais de cada um”.

Referindo que “há tiradas folclóricas, comentários na comunicação social e algum deslumbramento”, o deputado sublinhou que até agora “nada se fez” pela empresa e contrapôs que existem “vários estados-membros que têm apoiados as companhias aéreas” a ultrapassar os efeitos da pandemia.

Gonçalves Pereira defendeu igualmente que “um Estado que quer ser respeitado, e que quer manter uma posição forte em negociações vindouras, deve honrar os compromissos que assinou, porque é isso mesmo que tem de exigir aos seus parceiros” e “deve proteger as parcerias com que se comprometeu e evitar situações de incerteza desnecessária”.

Assim, quis saber “quanto e que a TAP vai custar aos contribuintes”.

O democrata-cristão criticou também a reação do primeiro-ministro ao plano rotas da TAP, tendo alertado a Comissão Executiva da transportadora que tem o dever legal de "gestão prudente" e "não tem credibilidade" um plano de rotas sem prévia informação sobre a estratégia de reabertura de fronteiras de Portugal.

“Hoje, o senhor primeiro-ministro viu-se obrigado a intervir publicamente sobre o planos de rotas, mas nada referiu sobre as pretensões de vários autarcas do norte do país. Está o Governo em condições de esclarecer porque é que a retoma de rotas é maior em Lisboa do que no resto do país?”, questionou o deputado João Gonçalves Pereira.

Nos pedidos de esclarecimento, vários partidos criticaram o plano de rotas apresentado – a maioria a partir de Lisboa -, tendo o PSD salientado que a TAP “cada vez mais parece” uma empresa de “transportes aéreos de Lisboa” e de Portugal, porque “desconsidera” o resto do país.

O deputado Hugo Carvalho defendeu que, “em vez do espetáculo de contradições no espaço público”, o Governo devia dar à companhia aérea a resposta que “já pediu há dois meses”. Porém, ainda “não há nenhum plano de recuperação da TAP” face aos efeitos da pandemia de covid-19, criticou.

“Eu já vi o CDS desproporcionalmente preocupado com a gestão privada da TAP, agora vejo o CDS com essa preocupação mas, como mudaram os ventos, começa a falar de decisões estratégicas da TAP, como o plano de rotas e o efeito no país”, atirou o socialista Carlos Pereira, elencado que as preocupações do PS prendem-se com o futuro da empresa e dos seus trabalhadores, mas também com a contribuição da TAP para a coesão económica do país”.

João Cotrim Figueiredo, da Iniciativa Liberal, ironizou que é necessário “confinar a intervenção do Governo para que não entre mais dinheiro dos contribuintes na TAP”.

PCP e PEV insistiram na nacionalização da empresa como forma de garantir o futuro da empresa.

O BE acusou o CDS de “ser um megafone dos acionistas” e considerou “inaceitável” o partido defender no parlamento, pela “terceira vez”, as “propostas dos acionistas privados da TAP”.

Por seu turno, o PAN salientou que é preciso “assegurar que qualquer intervenção [estatal na companhia aérea] não seja um novo calote ao estilo do Novo Banco”.

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