No comício de Setúbal do PS, o ministro das Finanças, candidato a deputado pelo PS no círculo de Lisboa, fez um ataque cerrado ao programa económico do PSD, colocando a questão das eleições de domingo entre o atual "rumo de segurança" do Governo e as "promessas vãs" dos sociais-democratas".

Mário Centeno dirigiu-se de forma original ao presidente do PSD, virando-se para as câmaras de televisão dizendo: "Onde é que é a câmara? Alô doutor Rui Rio, boa noite, está a ouvir-me?"

"Sei que está sempre atento ao que digo, estou agora também a falar para si. Doutor Rui Rio, a sua magia não é nada de especial, funciona muito como a daqueles comerciantes, felizmente poucos, com poucos escrúpulos, que aumentam o preço antes da época dos saldos. A isso os portugueses chamam aldrabice", considerou, recebendo uma salva de palmas da plateia.

De acordo com o titular da pasta das Finanças, no cenário macroeconómico que Rui Rio apresentou, "o PSD deu uma de mão de PIB (Produto Interno Bruto) ao velho modelo do choque fiscal de 2002, insuflou de receita fiscal - totalmente inventada - e depois diz que a vai baixar".

"Mas vai baixar exatamente o quê doutor Rui Rio? Ou seja, vai inventar a receita de impostos que inventou. Elimina o que não existe (uma pura ilusão). Aumenta-se o preço antes do dia da época de saldos para depois o cortar", disse.

De acordo com o ministro das Finanças, o presidente do PSD "está a vender aos portugueses o mesmo velho carro sem motor, mas com uma pintura novinha em folha".

"O doutor Rui Rio tentou um truque baratucho que normalmente acaba em liquidação total, mas não nos enganemos porque o cenário do PSD é mesmo radical e não encontra sustentação no sucesso de hoje da economia portuguesa. O doutor Rui Rio sabe que tem um buraco de 4,75 mil milhões de euros e tem de falar verdade aos portugueses", criticou Mário Centeno.

Mário Centeno que, face ao cenário de instabilidade internacional, o próximo Governo tem de ser de legislatura e não de conjuntura, "e só o PS pode garantir a estabilidade".

"Não nos deixemos enganar por promessas vãs", declarou, em novo ataque aos sociais-democratas.

Num discurso muito aplaudido, Mário Centeno adaptou versos de António Gedeão para criticar o PSD, considerando que "eles não sabem nem sonham que é a confiança com estabilidade que comanda a vida".

Mas o ministro das Finanças deixou também críticas ao Bloco de Esquerda e PCP, advertindo que "não é solução entregar o país a quem quer colocar em causa a sua credibilidade, propondo saídas do euro e o não pagamento da dívida pública para depois acabarmos a pagar ainda mais".

"Quem protege a estabilidade de Portugal não são seguramente aqueles que pretendem partir para o desconhecido e colocar as pensões e os salários em causa, jurando que têm contas certas. Esses, ao mesmo tempo, acrescentam 30 mil milhões de euros à despesa pública. Quem isto promete não faz acontecer hoje, mas faz seguramente desaparecer amanhã", disse.

(Notícia atualizada às 07h40 de 4 de outubro)

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