O governo da China continua a negar permitir que Liu seja tratado no exterior. "O paciente continua a receber cuidados de urgência", garantiu o Hospital Universitário de Shenyang, que ontem chegou a anunciar que o opositor político se encontrava "em estado crítico".

Liu Xiaobo obteve liberdade condicional, sendo então hospitalizado, depois de receber o diagnóstico, em maio passado, de um cancro do fígado em fase avançado. Passou mais de oito anos detido, após ser condenado por "subversão".

Segundo o estabelecimento médico, o paciente apresenta um quadro de septicemia e infeção no abdómen e foi submetido a uma diálise. No último fim de semana, o Hospital de Shenyang declarou que Liu não poderia ser transferido para o exterior, contrariando assim o desejo de ser tratado fora da China.

Ao ser questionado sobre o assunto nesta terça-feira, o porta-voz do Ministério chinês das Relações Exteriores, Geng Shuang, pediu à comunidade internacional que "não se meta nos assuntos internos da China sob pretexto (de defender) um caso particular".

Shuang referia-se, assim, aos países - entre eles Alemanha, Reino Unido e Estados Unidos - que defendem a viagem de Liu Xiaobo ao exterior. Se morrer na China, Liu será o primeiro Nobel da Paz a morrer privado de liberdade desde o pacifista alemão Carl von Ossietzky. Este último faleceu num hospital, em 1938, preso pelos nazis.

Na segunda-feira (10/07), a embaixada da Alemanha em Pequim manifestou a sua "profunda preocupação" com a divulgação de um vídeo, no qual Liu aparece muito magro, juntamente com médicos ocidentais que falam com a sua mulher e com os seus colegas chineses.

No vídeo, o médico alemão Markus Buchler diz à mulher do dissidente, Liu Xia, que os seus colegas chineses estão "totalmente dedicados" ao cuidado de seu marido. Ativistas dos direitos humanos também criticaram a difusão dessas imagens.

"É evidente que a China tem interesse em fazer crer que Liu Xiaobo está a ser bem tratado, quando, na realidade, se porta de maneira desumana", declarou à AFP a diretora da sede na China da ONG Human Rights Watch, Sophie Richardson, que denunciou "uma grotesca propaganda".

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