
Na sexta-feira à noite, a Administração Geral das Alfândegas chinesa anunciou que detetou furacilina, uma substância proibida no gigante asiático, em três lotes de produtos de carne de frango da Mountaire Farms of Delaware e da Coastal Processing.
Num outro comunicado, a alfândega chinesa revelou ter detetado salmonela em carne e ossos de aves em pó de três empresas: American Proteins, Darling Ingredients e Mountaire Farms of Delaware, sendo que todas terão as exportações para a China suspensas.
Também no portal, a alfândega da China anunciou ainda que suspendeu a importação de produtos de sorgo da empresa norte-americana C&D depois de “detetar níveis excessivos de zearalenona”, um tipo de micotoxina.
A agência explicou que tomou estas medidas “para prevenir riscos na origem e garantir a segurança da produção pecuária e a saúde dos consumidores” e afirmou que as medidas “são necessárias, científicas e razoáveis, e estão de acordo com as leis e regulamentos chineses relevantes e as práticas internacionais”.
A suspensão das importações ocorreu um dia depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter imposto uma tarifa de 34% sobre os produtos chineses.
No caso de Pequim, estas tarifas são adicionais às tarifas de 20% já em vigor. Ou seja, no total, as importações chinesas estarão sujeitas a uma tarifa de, pelo menos, 54%.
Na sexta-feira, a China anunciou que remeteu para a Organização Mundial do Comércio (OMC) a questão das tarifas impostas pelos Estados Unidos às suas exportações, tendo apresentado queixa no mecanismo de resolução de litígios.
“A China apresentou uma queixa no mecanismo de resolução de litígios da OMC”, anunciou o Ministério do Comércio de Pequim, em comunicado.
A China anunciou também na sexta-feira imposição de uma tarifa de 34% a importações de todos os produtos dos EUA a partir de 10 de abril, em resposta às novas tarifas impostas pelos EUA.
“A imposição pelos Estados Unidos das chamadas ‘tarifas recíprocas’ viola gravemente as regras da OMC, prejudica gravemente os direitos e interesses legítimos dos membros da OMC e prejudica gravemente o sistema de comércio multilateral baseado em regras e a ordem económica e comercial internacional”, afirmou o Ministério do Comércio.
“É uma prática típica de intimidação unilateral que põe em perigo a estabilidade da ordem económica e comercial global. A China opõe-se firmemente a isto”, acrescentou.
No início de março, a China anunciou tarifas de 10% e 15% sobre os produtos agrícolas dos Estados Unidos em resposta às tarifas de 20% que Trump impôs sobre os produtos chineses.
Durante a sua primeira presidência (2017-2021), Trump já tinha imposto várias rondas de tarifas, às quais a China retaliou.
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